Materiais Avançados

Revestimento transforma vidro em supervidro

Revestimento transforma vidro em supervidro
Ajustando a largura dos "favos" para torná-los menores do que o diâmetro do comprimento de onda da luz visível, os pesquisadores impedem que o material reflita a luz.[Imagem: Nicolas Vogel/Harvard University]

Supervidro

Um revestimento bioinspirado transforma um vidro comum em um supervidro, mais resistente e capaz de se autolimpar.

O novo revestimento poderá ser usado para criar lentes resistentes a arranhões para óculos, janelas autolimpantes, painéis solares que não perdem a eficiência por causa da poeira e novos dispositivos médicos.

O material é mais um dos frutos do trabalho da equipe da Dra. Joanna Aizenberg, que chefia o Instituto de Engenharia Biologicamente Inspirada da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Em vez de tentar imitar folhas de lótus e outras superfícies hidrofóbicas, a equipe aprimorou o material mais escorregadio do mundo, que eles próprios criaram em 2011.

O novo revestimento é igualmente escorregadio, livrando-se de praticamente qualquer material que cai sobre ele, mas é muito mais durável e totalmente transparente.

Juntas, essas características podem resolver os desafios de longa data para a criação de materiais que repelem quase tudo e que sejam comercialmente viáveis.

Rede de crateras

Para criar o revestimento, Nicolas Vogel e seus colegas começaram com nanopartículas esféricas de poliestireno colocadas sobre uma superfície plana.

A seguir, derramaram vidro líquido sobre elas, até que as nanopartículas fossem cobertas até à metade.

Depois que o vidro se solidificou, eles queimaram as pequenas esferas de poliestireno, deixando uma rede de crateras que lembra um favo de mel.

Eles, então, recobriram a estrutura com o mesmo líquido lubrificante usado no seu material escorregadio original.

"A estrutura de favo de mel é o que confere a estabilidade mecânica para o novo revestimento," disse Aizenberg.

Antirreflexo

Ajustando a largura dos "favos" para torná-los menores do que o diâmetro do comprimento de onda da luz visível, os pesquisadores impedem que o material reflita a luz.

Isto fez com que as lâminas de vidro recobertas com o revestimento tornem-se completamente transparentes e antirreflexivas.

A equipe agora está aprimorando seu método para recobrir peças curvas de vidro, assim como materiais plásticos transparentes, além de adaptar a técnica para o ambiente industrial.

Bibliografia:

Transparency and damage tolerance of patternable omniphobic lubricated surfaces based on inverse colloidal monolayers
Nicolas Vogel, Rebecca A. Belisle, Benjamin Hatton, Tak-Sing Wong, Joanna Aizenberg
Nature Communications
Vol.: 4, Article number: 2167
DOI: 10.1038/ncomms3176




Outras notícias sobre:

Mais Temas