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Tempestade solar devastadora passou raspando na Terra em 2012

Tempestade solar devastadora passou raspando na Terra em 2012
Esta imagem mostra uma das ejeções de massa coronal deixando a superfície do Sol no dia 23 de Julho de 2012, a uma velocidade de 2.890 km/h.[Imagem: NASA/STEREO]

Uma supertempestade solar passou raspando pela Terra entre os dias 22 e 23 de Julho de 2012.

A supertempestade, a primeira dessa magnitude já detectada, foi criada por uma sucessão de três ejeções de massa coronal, as erupções mais intensas do Sol.

O evento atingiu em cheio a sonda espacial STEREO-A, da NASA.

Se tivesse ocorrido nove dias antes, ela teria atingido a Terra em cheio, com consequências possivelmente catastróficas para as redes elétricas e os aparelhos eletrônicos, sobretudo os satélites artificiais.

"Se ela tivesse atingido a Terra, ela provavelmente seria equivalente à gigantesca [tempestade solar] de 1859, mas o efeito hoje, com nossas tecnologias modernas, teria sido tremendo," disse Janet Luhmann, da Universidade de Berkeley, que analisou os dados em conjunto com cientistas chineses.

Os dados indicam que as partículas de alta energia deixaram a superfície solar a uma velocidade recorde de quase 3.000 quilômetros por segundo, o que é quatro vezes mais rápido do que uma tempestade magnética típica.

Os pesquisadores concluíram que essa velocidade foi atingida porque uma ejeção de massa coronal quatro dias antes "limpou" o caminho para as duas ejeções que se sucederam no dia 23 de Julho, emitidas com um intervalo entre 10 e 15 minutos.

Evento Carrington

A tempestade solar de 1859 é conhecida como evento Carrington. A principal tecnologia de comunicação na época, o telégrafo, teve sua rede afetada em todos os Estados Unidos, dando choques elétricos nos telegrafistas. As auroras boreais foram vistas até no Havaí.

Um evento de proporções bem menores atingiu o Canadá no dia 13 de Março de 1989, derrubando a rede de distribuição elétrica por cerca de nove horas.

Tempestades dessa magnitude são muito raras. Além disso, o risco para a Terra é pequeno porque elas são emitidas em direções aleatórias a partir da superfície do Sol, sendo necessário haver uma coincidência entre o local da emissão da radiação e o movimento da Terra em sua órbita.

"O custo de um evento extremo do clima espacial, se atingir a Terra, pode chegar a trilhões de dólares, com um tempo de recuperação de 4 a 10 anos. Portanto, é fundamental para a segurança e o interesse econômico da sociedade moderna compreender as supertempestades solares," disse Ying Liu, coautor do estudo.

Bibliografia:

Observations of an extreme storm in interplanetary space caused by successive coronal mass ejections
Ying D. Liu, Janet G. Luhmann, Primoz Kajdic, Emilia K.J. Kilpua, Noé Lugaz, Nariaki V. Nitta, Christian Möstl, Benoit Lavraud, Stuart D. Bale, Charles J. Farrugia, Antoinette B. Galvin
Nature Communications
Vol.: 5, Article number: 3481
DOI: 10.1038/ncomms4481




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