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UFRJ e Unicamp mapeiam inovações da indústria na próxima década

UFRJ e Unicamp mapeiam inovações da indústria na próxima década
A desindustrialização do Brasil, processo reconhecido até pela ONU, torna árduo qualquer caminho para a inovação, sobretudo porque os empresários brasileiros estão longe da Indústria 4.0.[Imagem: Projeto Armeva/Divulgação]

Futurologia

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão trabalhando no mapeamento das inovações que deverão surgir na indústria brasileira nos próximos dez anos.

"As inovações, hoje, estão numa fase em que não transformam, não melhoram a competição. Mas há grande possibilidade de isso acontecer na próxima década. A convergência de tecnologias já existentes, emergentes, ao serem incorporadas, vão provocando o processo de transformação," disse David Kupfer, coordenador geral do projeto.

O pesquisador da UFRJ avalia que a indústria brasileira está atrasada em termos de inovação, mas que não é necessária uma descoberta revolucionária para que a inovação chegue à indústria.

Na comparação entre as áreas de transformação, a nanotecnologia está entre as mais promissoras, com inovações frequentes e expectativa de amadurecimento em até cinco anos. A biotecnologia, especialmente o sequenciamento genômico, também mostra-se madura, na avaliação do especialista. Além disso, a inteligência artificial no setor de bens de capital encontra-se em fase um pouco mais avançada.

Contudo, mesmo promissores, a maior parte desses núcleos de inovação não tem previsão de avanços no curto prazo. "Em energia, nos próximos dez anos, não devemos esperar nada além de impactos moderados. Não haverá economia que venha a provocar transformações," disse Kupfer, acrescentando acreditar que os carros elétricos devem demorar ainda mais para se tornarem comuns.

Dados da linha de produção

Já Antônio Bordeaux, da Unicamp, destaca a expectativa de que a Internet das Coisas - integração tecnológica que inclui recursos digitais na linha de produção, que resulta na produção de máquinas e dispositivos conectados - gere ganhos de 20% a 30% em produtividade.

"Os tesouros são os dados gerados a partir da observação da linha de produção. O que se coloca nos produtos que saem das fábricas," disse Bordeaux, citando o caso da Tesla, empresa dos Estados Unidos que fabrica carros elétricos de alto desempenho e vende exclusivamente pela internet: "Ela é, hoje, a empresa de maior aceitação do público no relacionamento com o mercado. Além do desempenho e apelo ecológico, no momento em que o seu carro está andando na rua, você recebe a mensagem sobre como fazer a manutenção, por exemplo."

Bordeaux incentiva os empresários a não esperar por uma iniciativa do governo federal para investir em inovação, pois é necessária agilidade neste campo. Ele também descarta outros receios, como o risco de ataques cibernéticos e a falta de profissionais qualificados. Em sua visão, o investimento em segurança da informação e a qualificação profissional podem superar os obstáculos que venham a surgir.





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