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Vidro mais fino do mundo vai para o Livro dos Recordes

Vidro mais fino do mundo vai para o Guinness
"É a primeira vez que alguém foi capaz de ver o arranjo dos átomos em um vidro." [Imagem: Pinshane Huang]

Recorde ao acaso

A versão de 2014 do livro dos recordes Guinness contará com mais um registro: o de vidro mais fino do mundo.

Em uma descoberta feita por acaso, o vidro ultrafino poderá ajudar a lançar algumas luzes no conturbado estudo dos vidros, que insistem em esconder seus mistérios.

Poucas áreas de pesquisa são tão controversas e acomodam discussões tão acaloradas quanto o estudo da estrutura atômica do vidro.

A briga é mais acirrada quando se discute a transição do vidro da fase líquida para a fase sólida - embora haja quem diga que o vidro não é exatamente um sólido.

Pinshane Huang e seus colegas da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, estavam tentando produzir grafeno usando folhas de cobre no interior de um forno de quartzo, quando perceberam que seu grafeno estava saindo "sujo".

Ao analisar o material no microscópio eletrônico, eles viram nada menos do que uma camada formada pelos elementos do vidro comum - silício e oxigênio.

Medindo tudo com cuidado, deram-se conta de que haviam produzido um vidro com apenas dois átomos de espessura, o que torna o material essencialmente bidimensional.

Teoria e prática

Outra surpresa é que a estrutura do vidro ultrafino é praticamente a mesma prevista em 1932 pelo físico norueguês William Houlder Zachariasen, uma das mais antigas representações teóricas dos átomos no vidro.

"Este é o trabalho do qual, quando eu olhar para trás toda a minha carreira, eu ficarei mais orgulhoso," disse o professor David Muller, membro da equipe. "É a primeira vez que alguém foi capaz de ver o arranjo dos átomos em um vidro."

Agora a bola volta para os teóricos, que passam a ter um elemento experimental inédito para continuar debatendo a natureza do vidro.

No lado prático, o vidro bidimensional poderá ser importante para a eletrônica, eventualmente aumentando a velocidade de computadores e telefones celulares.

Isto porque o material bidimensional é um óxido de silício, podendo funcionar como um material ultrafino e livre de defeitos para ser usado em transistores.

Bibliografia:

Direct Imaging of a Two-Dimensional Silica Glass on Graphene
Pinshane Y. Huang, Simon Kurasch, Anchal Srivastava, Viera Skakalova, Jani Kotakoski, Arkady V. Krasheninnikov, Robert Hovden, Qingyun Mao, Jannik C. Meyer, Jurgen Smet, David A. Muller, Ute Kaiser
Nano Letters
Vol.: 12 (2), pp 1081-1086
DOI: 10.1021/nl204423x




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