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Eletrônica

Bactéria geneticamente modificada tira fotografia de alta resolução

Redação do Site Inovação Tecnológica - 25/11/2005

Bactéria geneticamente modificada tira fotografia de alta resolução
Estudantes desenvolveram um "filme biológico", capaz de tirar fotos em preto e branco de altíssima resolução.
[Imagem: UCSF]

Fotografia biológica

Estudantes de mestrado da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, desenvolveram um "filme biológico", capaz de tirar fotos em preto e branco de altíssima resolução. O filme é formado por bilhões de bactérias E. coli, modificadas geneticamente.

O trabalho foi publicado em um número especial da revista Nature, dedicado ao campo emergente da biologia sintética.

O novo campo do conhecimento busca identificar genes que controlam características-chave e, a seguir, manipular micróbios para ativar esses genes em novas combinações, com o objetivo de criar instrumentos úteis para a medicina e para a tecnologia em geral.

Câmera fotográfica bacteriana

Os estudantes construíram sua "câmera fotográfica bacteriana" como parte da competição Genetically Engineered Machine (iGEM).

"Nossas fotos vivas são um exemplo bastante divertido de como dispositivos muito úteis à tecnologia e à medicina podem ser criados no campo da biologia sintética," diz Chris Voigt, cientista que orientou os estudantes.

Imprimindo expressões genéticas

"Nós estimamos que a resolução dessas fotografias seja de cerca de 100 Megapixels, mais ou menos 10 vezes melhor do que as atuais impressoras de alta resolução. A diferença é que nós podemos imprimir a manifestação de características genéticas," diz Anselm Levskaya, um dos participantes da pesquisa.

A bactéria E.coli, que vive na escuridão dos intestinos humanos, não possui sensibilidade à luz. Os estudantes então manipularam geneticamente a E.coli, adicionando-lhe uma proteína receptora de luz retirada de uma alga.

O metabolismo do micróbio foi modificado para produzir um composto químico que dá à proteína a capacidade para detectar a luz em seu novo hospedeiro.

O sensor de luz também foi geneticamente modificado para que a luz desativasse um gene que, em última instância, controla a produção de um composto colorido.

Bactérias cultivadas em ágar

Para criar as fotografias, a equipe da Universidade do Texas otimizou os pigmentos e o meio de crescimento das bactérias, além de usar um projetor de luz inovador, criado pelo estudante Aaron Chevalier.

Eles adicionaram um composto químico ao ágar, o material sobre o qual as bactérias são cultivadas, que faz com que as bactérias que estejam no escuro produzam um pigmento preto e aquelas que estão na claridade não produzam o pigmento.

O equipamento projeta o padrão de luz, como a imagem de uma pessoa, por exemplo, sobre o recipiente onde as bactérias estão sendo cultivadas. Depois de 12 a 15 horas de exposição - tempo necessário para que a população de bactérias cresça e preencha o disco de Petri - a luz é removida. Fica então, sobre o disco com a colônia de bactérias, a fotografia em alta resolução - uma fotografia viva.

Construindo com luz

Embora os pesquisadores não tenham nenhuma intenção de que a técnica venha a desbancar as câmeras digitais, a tecnologia poderá ser muito útil em uma variedade de áreas.

Por exemplo, alguns genes produzem plásticos ou fazem com que metais se precipitem. Ativando esses genes na presença de luz, é possível imprimir materiais de altíssima resolução. Além disso, a ativação de genes pode diferenciar células, o que poderá permitir que, no futuro, sejam construídos tecidos a partir de padrões de luz.






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