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As pedras de Marte, segundo Spirit e Opportunity

As pedras de Marte

Depois do susto com os problemas apresentados pelo robô Spirit, que já foi recuperado, os cientistas da NASA só têm motivos para comemorações. Não é para menos. Eles enviaram dois robôs justamente porque a chance de que um apresentasse problemas era grande. Mesmo nesse caso eles ainda teriam o outro para fazer suas experiências.

Mas os dois robôs estão operando normalmente, andando e analisando o solo e as rochas. E são justamente as rochas as grandes estrelas dessa odisséia espacial. É a primeira vez na história que os cientistas conseguem analisar detalhadamente rochas de outro planeta. E, o que é mais importante, verificar essas rochas em seu local de origem.

Mesmo a aparência de uma rocha diz a um geólogo treinado muito sobre sua origem. Mas os cientistas dispõem de equipamentos de última geração, capazes de ir muito além da aparência. A pequena pedra foi batizada de Adirondack, uma palavra indígena que significa "aquela dentre as grandes rochas" e que dá nome também a uma formação rochosa perto de Nova Iorque.

O robô Spirit utilizou seu braço mecânico para fazer um desbaste sobre a Adirondack, medindo cerca de 4 centímetros de diâmetro. Em seguida, sua câmera capaz de captar fotografias microscópicas, fez uma série de imagens que permitiram aos cientistas concluir que se trata de um basalto, uma rocha vulcânica. O basalto é largamente presente na Terra, sendo muito utilizado como brita. As terras férteis do interior do Brasil, chamadas de "terras roxas", originam-se da degradação do basalto.

 

Mas agora é a areia que está chamando a atenção dos cientistas. Não exatamente a areia, mas os pequenos grãos de formas perfeitamente arrendondadas, também fotografados pelas câmeras microscópicas dos dois robôs. Observe, por exemplo, a pequena pedra no canto inferior esquerdo desta foto. Os cientistas ainda não têm uma teoria sobre a origem ou a composição desse material. Nos próximos dias, eles utilizarão uma das rodas dos robôs para fazer uma pequena escavação na areia, para verificar se o material somente ocorre na superfície ou se tem origem mais profunda.

 

A "escavação" é feita fazendo-se girar apenas uma das seis rodas dos robôs; como ele não sai do lugar, a roda que gira, ao patinar, retira o material superficial, expondo uma porção mais profunda do solo, não diretamente tocada pelo vento.

O robô Opportunity, por sua vez, já está se dirigindo para um local de grande ocorrência de hematita cinza, ou cristalina, um tipo de rocha formada por óxido de ferro, que se forma na presença de água. Afinal, entre tantas rochas, tudo o que os cientistas mais esperam encontrar é algum sinal de água. Ainda que sinais deixados por uma água que esteve na superfície há milhões de anos atrás. Onde há água, pode haver, ou ter havido, vida.





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