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Motor Iônico da SMART-1 tem desempenho superior ao esperado

Motor Iônico da SMART-1 tem desempenho superior ao esperado

Motor inovador

Pode parecer estranho o fato de que cientistas da Agência Espacial Européia estejam no máximo do seu entusiasmo ao poderem acompanhar o funcionamento e aprender a lidar com o motor de uma sonda espacial.

Afinal de contas, desde o início dos diversos programas espaciais, as naves têm sido movidas por foguetes. E foguetes só precisam de uma ignição; depois da ignição, se algo der errado, só resta o "botão de pânico" e a destruição total é inevitável.

Mas o motor da SMART-1 não é um foguete. Trata-se de um motor iônico, uma espécie de motor elétrico, que retira o empuxo necessário para movimentar a nave de íons expelidos em alta velocidade pelo motor.

Motor iônico

O conceito de motor iônico remonta a meados do século passado, mas esta é a primeira vez que essa tecnologia é testada em um vôo de longa duração.

SMART (esperto, inteligente) é na verdade um acrônimo para "Small Missions for Advanced Research in Technology" (Pequenas Missões para Pesquisa Avançada em Tecnologia).

A SMART-1 é a primeira nave dessa série e, além do seu motor inovador, leva vários instrumentos que estão sendo avaliados e poderão vir a ser utilizados em futuras missões. Ela será também a primeira nave Européia a alcançar a Lua.

Mas, pelo menos nessa fase da missão, o sistema de propulsão elétrica está no centro das atenções dos cientistas. A pequena sonda já completou 264 órbitas, aproximando-se cada vez mais da Lua. O desempenho do motor é avaliado como sendo muito bom pelos técnicos.

O motor iônico já acumulou 1.870 horas de tempo total de funcionamento e consumiu cerca de 30 Kg de Xenon, o gás que lhe serve como combustível. Isto representou um incremento de velocidade para a SMART-1 de 134 m/s.

Oscilações

Ao contrário das expectativas, a corrente de descarga do motor mostrou apenas pequenas oscilações entre os valores máximo e mínimo. A magnitude dessas oscilações está em um fator de 10 vezes menor comparada com as medições feitas em câmeras de vácuo durante os testes em terra.

Os cientistas acreditam que a principal razão para esse funcionamento mais estável do que o previsto deve-se a uma redução na deposição de material nas paredes cerâmicas da câmara de descarga.

Desde a primeira ativação do motor iônico a chama de plasma expelida pelo motor está erodindo as bordas da câmara de descarga.

Na primeira fase da missão observou-se um grande grau de erosão. Mas agora a taxa de desgaste das paredes reduziu-se, provocando uma alteração no comportamento da corrente de descarga, que ficou mais homogênea.





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