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Partículas de cometa alteram teoria sobre formação do Sistema Solar

Agência FAPESP - 18/12/2006

Partículas de cometa alteram teoria sobre formação do Sistema Solar
Alguns dos grãos foram formados em temperaturas muito altas, em regiões próximas ao Sol, mas foram transportados para além da órbita de Netuno antes de serem incorporados pelo cometa.
[Imagem: NASA]

Poeira de cometa

Após quase um ano de estudos nas amostras recolhidas do cometa Wild 2 pela sonda Stardust, trazida para a Terra depois de uma missão de quase sete anos e 5 bilhões de quilômetros percorridos, os primeiros resultados acabam de ser divulgados.

E surpreenderam os pesquisadores envolvidos.

No lugar dos esperados materiais interestelares, os cientistas encontraram uma mistura de minerais de diferentes origens. São materiais formados tanto em condições frias quanto em quentes, em partes próximas e em outras nos confins do Sistema Solar.

"As partículas são principalmente silicatos originados no Sistema Solar. Alguns dos grãos foram formados em temperaturas muito altas, em regiões próximas ao Sol, mas foram transportados para a faixa de Kuiper [além da órbita de Netuno] antes de serem incorporados pelo cometa", disse Don Burnett, do Departamento de Ciências Geológicas e Planetárias do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, em um dos sete artigos publicados na edição de 15 de dezembro da Science sobre as análises do material do cometa.

Mistura cósmica

De acordo com o pesquisador principal da missão Stardust, Donald Brownlee, os grãos encontrados no cometa mostram que o Sistema Solar realiza "misturas em grande escala". Entre o material ser recolhido e passar a fazer parte de seu corpo, o cometa percorreu grande parte da extensão do Sistema Solar.

A descoberta é a primeira comprovação de que materiais das proximidades do Sol foram transportados aos confins do Sistema Solar

"Muitos imaginavam que os cometas foram formados em total isolamento do restante do Sistema Solar, mas acabamos de mostrar que não foi o que ocorreu", disse Brownlee, professor da Universidade de Washington.

Para o astrônomo, as conclusões dos estudos agora divulgados irão influenciar modelos sobre a origem dos cometas e dos planetas.

Origem quente

Outra surpresa foi que apenas um único grão, dos mais de mil que a Stardust trouxe para a Terra, contém minerais produzidos em áreas próximas ao Sol e com características similares às de meteoritos conhecidos. Antes da análise ser concluída, os cientistas achavam que tais minerais, mais comuns, compusessem a maior parte da poeira do cometa.

"Esses tipos de partículas que encontramos estão entre as mais antigas amostras do Sistema Solar. E se eles esquentassem um pouco mais seriam evaporados", disse Brownlee.

Essa é a primeira vez que um artefato humano recolhe amostras para serem analisadas de um corpo celeste além da Lua. Centenas de cientistas de diversos países participam das análises do material recolhido do 81P/Wild 2. Os grãos têm entre 5 e 300 micrômetros e foram trazidos pela Stardust em janeiro.







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