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Aranha de 49 milhões de anos tem imagem recriada em 3D

Redação do Site Inovação Tecnológica - 24/05/2011


Aranha no âmbar

Cientistas na Grã-Bretanha e na Alemanha criaram uma imagem tridimensional de um fóssil de uma aranha de 49 milhões de anos.

Os especialistas conseguiram recriar detalhes nítidos do fóssil do aracnídeo, que foi encontrado em um âmbar.

A tecnologia permitiu que eles identificassem a espécie da aranha, o que nem sempre é possível com as técnicas tradicionais.

O fóssil da aranha está preso em um âmbar encontrado em uma região do Báltico, no norte da Europa, uma zona que abrigou diversas florestas no passado e hoje é uma das principais fontes de resina vegetal fossilizada.

O âmbar estava no Museu de História Natural de Berlim.

"Normalmente quando o fóssil de uma aranha ou de outro inseto está preservado em âmbar, é muito difícil ver os seus detalhes com claridade suficiente para se identificá-lo", disse à BBC o paleontólogo David Penney, da Universidade de Manchester.

Imageamento 3D

"Usando microscópios tradicionais é possível identificar somente um de cada dez fósseis. Mas a nova tecnologia nos permite identificar praticamente qualquer espécime."

"Desenvolvemos uma técnica nova para aumentar o contraste entre o fóssil e a resina que o envolve, e isso melhora significativamente a resolução da imagem", disse Penney.

O fóssil é de uma espécie de aranha caçadora do gênero Sparassidae. Espécies deste gênero ainda existem em regiões tropicais, como no sul da Europa.

"Se a aranha fossilizada estivesse viva e a colocássemos junto a algumas espécies de aranhas caçadoras atuais, seria impossível distingui-las a olho nu", disse o especialista.

História da Terra

Os cientistas dizem que as imagens em 3D de fósseis em âmbar podem ser uma ferramenta para ajudá-los a entender a história da Terra.

"Se formos estudar somente o fóssil de uma aranha, talvez não avancemos muito. Mas se examinarmos muitas e muitas aranhas, poderemos começar a montar o quebra-cabeça de como foi nosso planeta no passado", disse o cientista à BBC.

"Há centenas - talvez cerca de 600 - diferentes espécies de aranha que estão presas em âmbar. Comparando estas espécies com as atuais, sabemos que o norte da Europa foi uma região tropical ou subtropical, ou seja, que passou por grandes mudanças em escala global."

"Atualmente devido às mudanças climáticas, estamos em uma nova fase de alterações globais. Os estudos de fósseis poderiam nos ajudar a prever o que acontecerá no futuro."

Além da Universidade de Manchester, participaram o Museu de Zoologia de Hamburgo, o Instituto de Investigações Senckenberg, de Frankfurt, e a Universidade de Humboldt, de Berlim.

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