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Espaço

Blocos essenciais da vida não exigem condições especiais no espaço

Redação do Site Inovação Tecnológica - 22/01/2026

Blocos essenciais da vida não exigem condições especiais para se formarem
Representação gráfica da glicina em uma superfície no meio interestelar (um grão de poeira), bombardeada por raios cósmicos, resultando na produção de peptídeos, os blocos básicos das proteínas.
[Imagem: Alfred Thomas Hopkinson/(Estrelas: NIRCam)]

Blocos de construção da vida

Contrariando pressupostos científicos de longa data, experimentos demonstraram que os componentes proteicos essenciais para a emergência da vida como a conhecemos podem se formar facilmente no espaço, sem a necessidade de condições extraordinárias.

Esta descoberta aumenta significativamente a probabilidade estatística de encontrarmos vida extraterrestre, afirmam Alfred Hopkinson e colegas da Universidade Aarhus, na Dinamarca, e do Instituto de Pesquisa Nuclear da Academia Húngara de Ciências.

Dentro de uma pequena câmara, os cientistas simularam o ambiente encontrado em gigantescas nuvens de poeira cósmica, que cobrem largas porções do Universo visível. A temperatura nessas regiões é de congelantes -260 °C. E a pressão é quase nula, o que significa que o experimento exigiu um bombeamento constante das partículas de gás no interior da câmara, para manter um vácuo ultra-alto.

A ideia era simular essas condições em laboratório para observar como as moléculas e partículas restantes reagem à radiação, exatamente como reagiriam em um ambiente interestelar real.

"Já sabemos, por experimentos anteriores, que aminoácidos simples, como a glicina, se formam no espaço interestelar. Mas estávamos interessados em descobrir se moléculas mais complexas, como peptídeos, se formam naturalmente na superfície dos grãos de poeira, antes que estes participem da formação de estrelas e planetas," explicou o professor Sergio Ioppolo.

Blocos essenciais da vida não exigem condições especiais para se formarem
Formação de peptídeos induzida por processamento energético no meio interestelar.
[Imagem: Alfred Thomas Hopkinson et al. - 10.1038/s41550-025-02765-7]

A longa cadeia de formação da vida

Os resultados foram entusiasmantes: Quando os pesquisadores colocaram glicina na câmara e a irradiaram com análogos de raios cósmicos, a mágica se fez.

"Observamos que as moléculas de glicina começaram a reagir entre si para formar peptídeos e água. Isso indica que o mesmo processo ocorre no espaço interestelar," contou Hopkinson. "Este é um passo em direção à criação de proteínas em partículas de poeira, os mesmos materiais que mais tarde formam planetas rochosos."

Peptídeos são aminoácidos ligados entre si em cadeias curtas. Quando os peptídeos se ligam uns aos outros, eles formam proteínas, que são essenciais para a vida como a conhecemos. A busca pelos precursores das proteínas, portanto, é vital na investigação da origem da vida, sobretudo na astrobiologia.

"Nós costumamos pensar que apenas moléculas muito simples podiam ser criadas nessas nuvens. A ideia era que moléculas mais complexas se formavam muito mais tarde, depois que os gases começavam a coalescer em um disco que eventualmente se tornará uma estrela," detalhou Ioppolo. "Mas mostramos que esse claramente não é o caso."

Essas nuvens de gás eventualmente acabam colapsando, formando discos estelares e protoplanetários e, em última instância, estrelas e planetas. E os minúsculos blocos de construção em seu interior podem oportunamente se depositar em planetas rochosos. Se esses planetas estiverem em uma zona habitável, então existe uma probabilidade real de que a vida possa surgir.

"Ainda não sabemos exatamente como a vida começou. Mas pesquisas como a nossa mostram que muitas das moléculas complexas necessárias para a vida são criadas naturalmente no espaço," concluiu Ioppolo.

Bibliografia:

Artigo: An interstellar energetic and non-aqueous pathway to peptide formation
Autores: Alfred Thomas Hopkinson, Ann Mary Wilson, Joe Pitfield, Alejandra Traspas Muiña, Richárd Rácz, Duncan V. Mifsud, Péter Herczku, Gergö Lakatos, Béla Sulik, Zoltán Juhász, Sándor Biri, Robert W. McCullough, Nigel J. Mason, Carsten Scavenius, Liv Hornekær, Sergio Ioppolo
Revista: Nature Astronomy
DOI: 10.1038/s41550-025-02765-7
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