Redação do Site Inovação Tecnológica - 17/08/2026

Buracos negros quiescentes
Pela primeira vez, astrônomos detectaram um buraco negro supermassivo na borda de uma galáxia, quando a regra é que buracos negros dessa magnitude residam no centro das galáxias.
É um achado "preocupante" porque encontrar um buraco negro tão grande "andando solto" por aí não é algo que alguém deseje nem para o pior dos seus exoinimigos.
"Esta descoberta terá um impacto enorme. Significa que encontraremos muitos outros exemplos de buracos negros errantes e poderemos entender como as galáxias e seus buracos negros se fundem e se desenvolvem ao longo do tempo," disse o professor Suvi Gezari, da Universidade de Maryland, nos EUA.
Os teóricos já haviam previsto a existência de buracos negros errantes, vagando pelas periferias das galáxias à medida que estas colidem e se fundem. Mas, como muitos desses buracos negros são quiescentes - ou seja, não estão engolindo matéria nem emitindo luz -, eles se movem discretamente, sem serem detectados pelos sensores terrestres.

IA astronômica
A descoberta foi feita por uma campanha conhecida como ZTF (Instalação Transiente Zwicky), que varre todo o céu do hemisfério norte a cada dois dias, utilizando dois telescópios localizados no Observatório Palomar, na Califórnia.
É impossível verificar a presença de buracos negros em cada um dos milhares de eventos celestes coletados a cada noite, por isso, os pesquisadores desenvolveram um programa de inteligência artificial que identifica um padrão de luz característico que ocorre quando um buraco negro engole uma estrela, um fenômeno astronômico chamado evento de ruptura de maré. Esses eventos são bem documentados nos centros das galáxias, mas a abordagem baseada em IA inovou ao procurar explosões semelhantes em qualquer lugar do céu.
O primeiro sucesso da busca consiste em um buraco negro localizado a 9,3 quiloparsecs (cerca de 30.000 anos-luz) do centro de sua galáxia. Ele tem aproximadamente a mesma massa que o buraco negro no centro da nossa galáxia, o Sagitário A*. Mas, surpreendentemente, não há nenhuma galáxia observável orbitando ao seu redor.
Isso dá uma ideia do susto que os astrônomos levaram ao confirmar sua descoberta usando outros observatórios: Eles essencialmente acharam um buraco negro do qual está faltando uma galáxia do tamanho da Via Láctea.
Prováveis explicações
A hipótese que a equipe considera mais provável é que esse buraco negro, batizado de TDE 2025abcr, tenha-se originado da colisão de duas galáxias: Uma galáxia maior deve ter canibalizado uma menor e, em seguida, lentamente tenha removido suas estrelas até restar apenas o núcleo. Mas teria que ser uma galáxia descomunal para vencer a gravidade do buraco negro errante.
Uma segunda possibilidade é que uma das galáxias já possuísse dois buracos negros orbitando próximos ao seu centro, o que é chamado de sistema binário de buracos negros. Se um terceiro buraco negro, proveniente de outra fusão, entrar na mistura, interações complexas entre os três corpos expulsariam o menor deles.
Observações contínuas desse evento de ruptura de maré poderão favorecer uma dessas duas teorias em detrimento da outra, afirmaram os pesquisadores.
Caracterizar o comportamento de buracos negros quiescentes é importante porque a maioria deles - incluindo o do centro da Via Láctea - está inativa. Não se sabe se nossa galáxia abriga algum buraco negro errante em sua periferia. "É muito improvável que encontremos um, pelo menos durante nossa vida," ameniza o professor Robert Stein, coordenador da equipe.