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Buracos negros podem expulsar até metade da matéria que cai neles

Redação do Site Inovação Tecnológica - 07/08/2026

Buraco negro expulsa metade da matéria que cai nele
Ilustração artística do buraco negro SwiftJ1727, que parece engolir apenas metade das nuvens de matéria que atrai.
[Imagem: Segura et al - 10.1093/mnras/stag1175/DonorJetClouds (2026)]

Vômito de buraco negro

Desde a teorização da radiação Hawking, sabemos que os buracos negros evaporam lentamente mediante a emissão de uma radiação muito fraca - na verdade, as teorias indicam que o Universo inteiro vai evaporar.

Mas parece que os buracos negros não são exatamente os glutões engolidores de mundos que os cientistas vêm pintando há décadas.

Noel Segura e colegas da Universidade de Warwick, no Reino Unido, acabam de observar um "vômito" dramático de um buraco negro, uma espécie de erupção que mostra que, mesmo quando os buracos negros parecem muito pequenos e quase invisíveis, eles não são simplesmente poços sem fundo.

"As pessoas costumam imaginar buracos negros simplesmente engolindo tudo ao seu redor," comentou Segura. "O que estamos vendo é um processo muito mais complexo. A matéria cai, o sistema a processa e uma quantidade surpreendente é expelida novamente."

As observações mostraram que, à medida que o buraco negro Swift J1727.8-1613 consumia gás de uma estrela próxima, ele simultaneamente lançava parte desse material de volta para o espaço na forma de jatos e ventos. E esses fluxos massivos de material ocorreram quando a atividade do buraco negro era muito baixa, muito menor do que se pensava anteriormente, sugerindo que os buracos negros podem se comportar não como poços sem fundo, mas como poderosos "sistemas digestivos cósmicos", engolindo e regurgitando matéria.

Buraco negro expulsa metade da matéria que cai nele
Esquema de um fluxo de expulsão de matéria, que produz linhas de emissão com pico duplo nas regiões internas (dominadas pela rotação) e se torna radialmente dominado em raios maiores, produzindo um perfil de absorção deslocado para o azul na mesma linha espectral.
[Imagem: Segura et al. - 10.1093/mnras/stag1175]

Buraco negro expulsando matéria

O Swift J1727 foi descoberto quando entrou em erupção repentinamente em 2023, tornando-se rapidamente uma das fontes de raios X mais brilhantes do céu. O sistema consiste em um buraco negro que está puxando gás de uma estrela próxima, criando um disco giratório de material superaquecido ao seu redor. Durante a explosão, os astrônomos tiveram a oportunidade de observar esse processo de alimentação em tempo real e com uma qualidade muito difícil de se obter de fenômenos transientes desse tipo.

Uma das descobertas mais intrigantes foi que, à medida que o buraco negro expelia um forte jato, o disco que o alimentava também sofria mudanças significativas. Isso oferece uma rara visão da conexão entre a matéria que cai em direção a um buraco negro e a matéria que é expelida de volta para o espaço.

Talvez o resultado mais surpreendente tenha surgido depois que o frenesi alimentar do buraco negro diminuiu consideravelmente. Mesmo quando o Swift J1727 havia reduzido sua atividade para cerca de um centésimo do que apresentou durante o pico, gás denso continuava sendo expelido do sistema.

Esta descoberta sugere que os buracos negros podem continuar a emitir fluxos de material poderosos muito tempo depois do auge de sua atividade ter passado. De fato, a quantidade de material expelido pode rivalizar com a quantidade consumida pelo próprio buraco negro. Em outras palavras, um buraco negro pode não engolir tudo o que cai nele: Ele engole a metade e vomita a outra metade.

"Se os buracos negros conseguem continuar a expelir matéria mesmo após suas maiores explosões, isso significa que eles podem ser devoradores muito menos eficientes do que presumíamos anteriormente. Uma fração significativa dessa matéria pode nunca chegar ao buraco negro, alterando nossa compreensão de como as estrelas binárias nas galáxias evoluem," concluiu Segura.

Bibliografia:

Artigo: Optical outburst evolution of the transient black hole X-ray binary Swift J1727.8 ?1613: disc response to jet ejections and late-outburst emergence of powerful disc winds
Autores: Noel Castro Segura, K. Solomons, J. M. Corral-Santana, C. Knigge, P. A. Charles, M. Brigitte, S. Fijma, M. Díaz Trigo, A. Gúrpide, D. A. H. Buckley, F. Carotenuto, A. J. Castro-Tirado, D. L. Coppejans, M. Georganti, A. Hughes, K. S. Long, J. Matthews, I. Monageng, I. Pelisoli, T. D. Russell, D. Steeghs, J. Svoboda, A. J. Tetarenko, F. M. Vincentelli, A. G. W. Wallis
Revista: Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
Vol.: 550, Issue 4
DOI: 10.1093/mnras/stag1175
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