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Célula a combustível estreia no mercado acenando com energia verde

Célula a combustível estreia no mercado acenando com energia verde
A célula a combustível tem o tamanho de um contêiner e gera 100 kilowatts de energia continuamente, sem produzir nenhum poluente. [Imagem: Bloom Energy]

A empresa emergente norte-americana Bloom Energy apresentou ao mercado uma célula a combustível alimentada a gás natural ou biogás com potencial para transformar a geração de energia, eventualmente criando microusinas nas empresas e, futuramente, até mesmo em residências.

Células a biocombustível

A célula a combustível vinha sendo desenvolvida em segredo há vários anos, a partir do trabalho do ex-cientista da NASA K.R. Sridhar. Ele trabalhou em um módulo de uma sonda espacial enviada a Marte que era alimentado por uma célula a combustível.

Depois de terminado o trabalho, ele se desligou da NASA, uniu-se a vários colegas de universidades e coletou investimentos privados para otimizar a célula a combustível e torná-la viável para uso em escala comercial.

As células a combustível foram inventadas na década de 1960. A NASA as utiliza na Estação Espacial Internacional, nos ônibus espaciais e em virtualmente todas as missões mais recentes.

A tecnologia é extremamente promissora: usando biocombustíveis, gás natural, ou mesmo Hidrogênio, elas geram energia elétrica produzindo apenas água como subproduto.

Célula a combustível comercial

Durante a apresentação desta que é a primeira célula a combustível deste porte a chegar ao mercado, a Bloom Energy revelou que várias empresas, entre elas o Google e o site eBay já vêm testando seus protótipos desde 2008.

A célula a combustível tem o tamanho de um contêiner e pode gerar até 100 kilowatts de energia continuamente. Ao contrário de outras fontes renováveis, como a energia solar e a energia eólica, as células a combustível podem trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana. E seu único subproduto é água, sem nenhum outro poluente.

Caras demais

Dezenas de empresas ao redor do mundo trabalham no aprimoramento da tecnologia, na tentativa de criar versões economicamente viáveis. Contudo, além de vários empecilhos técnicos, as células a combustível continuam sendo caras demais.

O gerador agora apresentado, batizado de Bloom Box, por exemplo, custa US$800.000,00, eventualmente viável para grandes empresas, principalmente para substituição dos geradores a diesel de back-up, mas ainda muito distante da promessa de um gerador caseiro, capaz de deixar as residências autossuficientes em termos de eletricidade.

Sridhar falou em células a combustível do tamanho de um tijolo, custando US$3.000,00, dentro de 10 anos. Ao custo atual, a empresa afirma que seus clientes recuperarão o investimento em um período de 3 a 5 anos, levando em conta a economia de energia e a diminuição das pegadas de carbono.

Tempo e temperatura

O tempo será certamente muito importante para a Bloom Energy. As células a combustível funcionam em temperaturas muito elevadas - as do tipo da Bloom Box chegam a 800º C - e ainda não é possível estimar qual será a durabilidade do equipamento.

Analistas afirmam que 10 anos de vida útil pode ser uma boa marca para o mercado, mas eventualmente a tecnologia poderá não alcançar isto.

O Bloom Box é uma célula a combustível do tipo sólido, ou SOFC na sigla em inglês (solid oxide fuel cell).

Ao contrário das células a combustível a hidrogênio, que ganharam muita propaganda e bilhões de dólares em recursos na era do presidente George W. Bush, as SOFC não utilizam catalisadores de metais preciosos, o que ajudou a diminuir os seus custos. O material usado é cerâmico, cuja composição exata é um segredo guardado a sete chaves pela empresa.

Ao contrário dos motores a combustão dos automóveis, que queimam o combustível, a célula a combustível transforma o gás natural, ou diversos biogases, em eletricidade por meio de um processo eletroquímico, usando o oxigênio da atmosfera.





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