Redação do Site Inovação Tecnológica - 28/01/2026

Célula solar para interiores
Pesquisadores brasileiros e italianos deram um impulso a uma nova família de células solares cujo elemento fundamental não é o silício, mas a perovskita, um material semicondutor produzido em laboratório.
As novas células solares de perovskita apresentaram excelente desempenho para transformar luz artificial em eletricidade, em ambientes internos, o que as torna interessantes para fornecer energia limpa e renovável para aparelhos usados dentro de residências, comércios ou indústrias, eliminando a necessidade de pilhas e baterias.
O mercado de fotovoltaicos para interiores tem um potencial econômico gigantesco, mas a baixa luminosidade dos ambientes internos representa um desafio para as tecnologias fotovoltaicas convencionais, já que resultam em uma queda acentuada na eficiência das células.
Um passo importante para superar esse desafio foi dado agora por pesquisadores do CINE (Centro de Inovação em Novas Energias), uma colaboração que reúne várias universidades brasileiras, e de instituições parceiras na Itália.

Célula solar de perovskita
Francineide de Araújo e seus colegas criaram as novas células solares empregando um tratamento de superfície inovador da camada principal das células solares, composta por um material do grupo das perovskitas.
O tratamento consiste em criar uma finíssima camada usando uma mistura do sal orgânico PEAI (iodeto de fenetilamônio) com o aditivo DIO (1,8-diiodooctano). O resultado é uma camada bidimensional de perovskita que se forma espontaneamente sobre a perovskita tridimensional usada como base, neutralizando seus defeitos superficiais e melhorando seu desempenho.
"A mistura de PEAI:DIO melhora a passivação de defeitos, otimiza o alinhamento do dipolo interfacial e aprimora o transporte de carga. Por esse motivo foi possível obter dispositivos de alto desempenho," disse Francineide, destacando que uma das vantagens do processo é que ele não utiliza tratamentos térmicos e, portanto, ocorre à temperatura ambiente.
"Sob condições de iluminação interna (1000 lux, 500 lux e 200 lux), nosso tratamento reduz substancialmente os estados de armadilha interfacial, permitindo um desempenho em torno de 34% para módulos de perovskita de baixo bandgap," detalhou a pesquisadora. "Esse desempenho está entre recordes de eficiência reportados na literatura."

Painel solar para interiores
A equipe já utilizou sua nova técnica para fabricar células solares em diferentes escalas, desde células de pequena área até módulos de 121 cm2, formados por até 15 células conectadas em série, um pequeno painel solar para interiores.
Os resultados da pesquisa reforçam a aplicabilidade da tecnologia fotovoltaica à base de perovskita, viabilizando seu uso em dispositivos eletrônicos de baixa potência utilizados em ambientes internos, com iluminação reduzida.
"A estratégia desenvolvida demonstra forte potencial competitivo com relação a outras metodologias de produção de células e módulos solares de perovskita, especialmente em termos da simplicidade de fabricação e do baixo impacto nos custos," disse Francineide.