Redação do Site Inovação Tecnológica - 09/06/2026

Tecnoassinaturas improváveis
Descobrir corpos celestes vindos de fora do Sistema Solar já é por si só um feito científico marcante, mas os três que foram documentados até agora trouxeram uma especulação que chamou a atenção.
Devido a um formato inusitado, variações de aceleração e composições incomuns, alguns astrofísicos levantaram a possibilidade de que o 1I/'Oumuamua, o 2I/Borisov e o 3I/Atlas poderiam ser sondas alienígenas coletando dados conforme viajavam por rotas interestelares.
As alegações são controversas, mas o Instituto SETI, responsável por pesquisas sobre a ocorrência de civilizações alienígenas, leva o assunto a sério, e vem estudando todas elas com rigor científico.
Embora todas as observações anteriores indicassem fortemente que 3I/Atlas é um objeto natural, esses visitantes interestelares também são alvos atraentes para a obtenção de tecnoassinaturas, já que um objeto artificial - por mais improvável que seja - poderia representar tecnologia extraterrestre detectável e potencialmente fornecer a primeira evidência de vida além da Terra.
"Eventualmente, nossas próprias sondas Voyager se tornarão artefatos extraterrestres em outros sistemas estelares," disse a astrônoma Sofia Sheikh, coordenadora da nova análise. "Sendo assim, é importante que entendamos a distribuição natural dos objetos interestelares para que possamos identificar quaisquer anomalias que um dia possam ser sinais de um objeto interestelar artificial."

Cometa é natural
O 3I/Atlas de fato levantou suspeitas. Por exemplo, observações com o telescópio espacial James Webb mostraram sinais de metano e uma química muito peculiar, quase estranha, com o cometa liberando quantidades excepcionalmente grandes de dióxido de carbono em relação à água, excedendo em muito os níveis normalmente medidos em cometas do Sistema Solar.
A equipe SETI observou o cometa por mais de sete horas com o conjunto de radiotelescópios Allen, cobrindo a faixa de 1 a 9 gigahertz. Essa ampla faixa permite procurar sinais de rádio de banda estreita, que não são produzidos na natureza e poderiam ser evidências de tecnologia.
Foram identificados quase 74 milhões de sinais de banda estreita. Contudo, após remover a interferência humana e filtrar os sinais correspondentes ao movimento do 3I/Atlas, os pesquisadores ficaram com apenas cerca de 200 para análise. Todos foram rastreados e tiveram suas origens identificadas em tecnologias na superfície da Terra ou de satélites em órbita terrestre.
Embora nenhuma assinatura tecnológica tenha sido identificada, o estudo estabelece novas restrições que reforçam a ideia de que 3I/Atlas é um objeto natural. As observações impõem limites superiores à potência de qualquer transmissor de rádio no cometa ou próximo a ele, descartando sinais com potência superior a cerca de 10 a 110 watts, aproximadamente a potência de um eletrodoméstico.
"Os resultados do 3I/Atlas mostram o quão realista é detectar um sinal com a tecnologia que temos hoje," disse Valeria Lopez, coautora do estudo. "É por isso que é importante continuar procurando tecnoassinaturas, mesmo em objetos nos quais não esperaríamos encontrar sinais."