Redação do Site Inovação Tecnológica - 28/08/2026

Compósito de diamante
Os diamantes são ótimos para um sem-número de aplicações, mas costumam ser caros demais para a maioria delas. Acontece que nem todos os usos exigem todas as propriedades de um diamante autêntico, podendo se contentar muito bem com uma "aproximação".
E essa possibilidade acaba de ser criada por Abhijit Biswas e colegas da Universidade Rice, nos EUA, que desenvolveram uma técnica para fabricar compósitos de diamante, materiais híbridos com propriedades superiores às dos melhores materiais engenheirados existentes.
Embora os diamantes de qualidade gema, aqueles usados em joias, sejam extremamente caros, existem também os diamantes industriais, pequenas partículas de diamante fabricadas industrialmente, que não são tão belas e brilhantes, mas são duras o suficiente para inúmeros usos, sobretudo na ferramentaria e nos abrasivos.
O único problema é que são partículas muito pequenas. O que Biswas fez foi desenvolver uma técnica para criar peças grandes juntando esses microdiamantes industriais.
"O compósito produzido por esse processo é praticamente impossível de usinar e é extremamente resistente devido à presença de partículas de diamante dispersas, podendo auxiliar no desenvolvimento de materiais mais resistentes para aplicações aeroespaciais, de defesa e outras tecnologias que enfrentam condições extremas," comemorou o pesquisador.
Esta inovação contou com a participação de vários pesquisadores brasileiros, das universidades de Brasília (UnB) e Estadual de Campinas (Unicamp).

Fabricando peças grandes de diamante
A técnica padrão para unir pequenas partículas em uma estrutura maior é a sinterização, um processo que utiliza calor e pressão para aglomerar as partículas e formar um objeto sólido maior. O diamante, porém, é carbono puro, de modo que as altas temperaturas o transformam em grafite.
Para manter a estabilidade do diamante durante o processamento, Biswas misturou nanodiamantes - grãos microscópicos de diamante produzidos industrialmente - com nitreto de boro cúbico, um material com dureza comparável à do diamante, e cobalto, para ligar e estabilizar a mistura.
Então foi possível usar a sinterização por plasma de faísca, um processo rápido que aplica calor e pressão para transformar pós em um sólido. O processo produziu um compósito extremamente resistente, com partículas de diamante incorporadas na matriz de nitreto de boro e cobalto distribuído por toda a sua extensão.
"Este foi um resultado bastante empolgante, já que é quase impossível sinterizar diamante a pressões mais baixas, e este novo processo que desenvolvemos pode levar à fabricação em larga escala de compósitos à base de diamante," disse o professor Pulickel Ajayan, cuja equipe recentemente desenvolveu uma técnica para cultivar diamantes em um chip, usando sementes de diamante.