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Efeito do Observador: Ser humano continua tendo papel na física quântica

Redação do Site Inovação Tecnológica - 09/10/2020

Efeito do Observador: Ser humano continua tendo papel na física quântica
Quando não tinha ninguém olhando, praticamente nada aconteceu, mostrando que a gravidade não é a responsável pelo efeito do observador.
[Imagem: Sandro Donadi et al. - 10.1038/s41567-020-1008-4]

Efeito do Observador

Um dos maiores enigmas da já enigmática física quântica diz respeito ao chamado "efeito do observador": o fato já demonstrado de que o cientista influi no resultado do fenômeno quântico pelo simples fato de observá-lo.

Um elétron, por exemplo, é uma onda, mas essa onda colapsa quando é medida, aparecendo então na medição como uma partícula com posição determinada. Mas talvez o exemplo mais famoso seja o gato de Schrodinger, em que o gato só se define como morto ou vivo quando a partícula quântica é medida.

Ocorre que, assim como Einstein não gostava nem um pouco dessas esquisitices da mecânica quântica, muitos físicos continuam não se dando bem com esses conceitos contraintuitivos - essa corrente defende que o conceito do efeito do observador é antropocêntrico demais.

Isso tem gerado tentativas de explicações alternativas para essa "inconveniente" associação entre observador e fato. Uma dessas explicações é que a gravidade seria a força responsável por fazer com que a partícula/onda colapse quando a medição é feita.

Infelizmente, os proponentes dessa ideia terão que voltar às pranchetas e bolar uma outra explicação.

Gravidade e colapso da função de onda

Uma equipe de pesquisadores da Alemanha, Itália e Hungria usou experimentos superprecisos, em um laboratório isolado no subsolo, mas não encontrou nenhuma evidência de que a gravidade seja a responsável pelo efeito do observador.

Efeito do Observador: Ser humano continua tendo papel na física quântica
Outra tentativa em andamento consiste em ver se a gravidade é quântica ou não.
[Imagem: Ana Kova/Sandbox Studio]

O experimento consistiu em construir um pequeno detector com um cristal de germânio e usá-lo para detectar as emissões de raios X e raios gama de prótons nos núcleos do germânio. Mas antes de executar o experimento, a equipe colocou o detector em um invólucro de chumbo, para protegê-lo de qualquer influência externa, e levaram tudo para uma instalação 1,4 quilômetro abaixo do nível do solo, no Laboratório Nacional Gran Sasso, na Itália.

A ideia é que, se a gravidade fosse a responsável pelo colapso das partículas, então deveria haver um número mensurável de emissões de radiação durante um período de tempo - em outras palavras, as partículas deveriam colapsar mesmo quando ninguém estivesse olhando.

Após dois meses de testes, contudo, a equipe registrou muito menos ocorrências do que a teoria sugeria, indicando que as partículas não estavam colapsando devido à gravidade.

Assim, antropocêntrico ou não, parece que os físicos continuam influenciando o mundo quântico pelo mero fato de observá-lo. Pelo menos até alguém descobrir um efeito que passou despercebido até agora.

Bibliografia:

Artigo: Underground test of gravity-related wave function collapse
Autores: Sandro Donadi, Kristian Piscicchia, Catalina Curceanu, Lajos Diósi, Matthias Laubenstein, Angelo Bassi
Revista: Nature Physics
DOI: 10.1038/s41567-020-1008-4





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