Redação do Site Inovação Tecnológica - 27/04/2026

Bateria a gás
Mesclando o conceito de colheita de energia com a captura de gases de efeito estufa, um novo dispositivo energético gera eletricidade durante o processo de retirar da atmosfera os gases que causam o aquecimento global.
Já existem várias técnicas para capturar gases de efeito estufa, mas todas precisam de eletricidade para funcionar e, ao final, geram compostos intermediários, que então devem ser usados para gerar energia ou entrarem como matéria-prima em processos industriais.
Aqui, além de dispensar a entrada de energia, o gás é capturado e a saída do dispositivo é energia elétrica, pronta para uso.
Com seu dispositivo híbrido, Tae Yun e colegas das universidades Ajou e Chungbuk, na Coreia do Sul, criaram um novo conceito de geração de energia que eles batizaram de GCEG, sigla em inglês para "captura de gás e geração de eletricidade".

Transformando gases em eletricidade
O dispositivo consiste em uma estrutura assimétrica que combina eletrodos à base de carbono com materiais de hidrogel.
Quando os gases de efeito estufa, como óxidos de nitrogênio (NOx) ou dióxido de carbono (CO2), são adsorvidos, ocorre uma redistribuição de cargas elétrica e uma migração de íons dentro do dispositivo.
É isso que possibilita a geração contínua de eletricidade, na forma de corrente contínua (CC), sem qualquer fonte de energia externa. Em essência, os poluentes atmosféricos funcionam como o "combustível" para a geração de eletricidade, purificando o ambiente e fornecendo energia simultaneamente.
"Esta pesquisa demonstra que os gases de efeito estufa não são meramente poluentes a serem controlados, mas podem servir como uma nova fonte de energia. Nosso objetivo é desenvolver ainda mais esta tecnologia em uma plataforma ambiental que não apenas alcance a neutralidade de carbono, mas também gere energia," disse o professor Ji-Soo Jang.

Múltiplos usos
A expectativa é que esta tecnologia tenha aplicações em sensores ambientais inteligentes autossuficientes e sistemas de internet das coisas sem baterias e, com maior desenvolvimento, até mesmo em instalações industriais onde são gerados grandes volumes de emissões.
"Ao integrar a captura de gás e a geração de eletricidade em uma única plataforma autossuficiente, essa abordagem oferece um caminho escalável e de baixo consumo energético para mitigar múltiplos gases de efeito estufa e representa uma estratégia promissora rumo à neutralidade de carbono," concluiu a equipe.