Redação do Site Inovação Tecnológica - 14/08/2026

Estrela alimentada por buraco negro
Embora os estudos mais precisos continuem alertando que não sabemos exatamente como são os buracos negros - não sabemos nem mesmo qual teoria sobre os buracos negros está correta - precisamos falar deles, e os cientistas atualmente concordam em dividi-los em duas categorias: Os buracos negros estelares, formados pelo colapso gravitacional de estrelas massivas no fim de suas vidas, o que se dá em uma explosão de supernova, e os buracos negros supermassivos, localizados no centro da maioria das grandes galáxias.
Mas uma equipe internacional de astrônomos acredita ter elementos para propor a existência de um outro tipo: Uma "estrela buraco negro", ou um "buraco negro estrela", como queira. É um corpo celeste nunca antes visto, mas que pode ser interpretado como uma nuvem de gás extremamente densa, alimentada não pela fusão nuclear, como uma estrela convencional, mas por um buraco negro central.
"Nossa compreensão desse objeto está evoluindo muito rapidamente," disse Rohan Naidu, da Universidade do Havaí. "Acreditamos que exista um buraco negro central com 100.000 vezes a massa do Sol. E, ao redor desse buraco negro, haveria um extenso envelope de gás que se assemelha a uma estrela do tamanho do Sistema Solar. Ela é enorme."
Contudo, ainda é cedo para taxar a proposta de Naidu e seus colegas como uma "descoberta". Na verdade, trata-se de mais uma proposta para tentar explicar os curiosos pequenos pontos vermelhos descobertos pelo telescópio James Webb. No início acreditou-se que seriam galáxias muito precoces - eles aparecem entre 600 milhões e 1,5 bilhão de anos após o Big Bang, e depois somem - mas hoje há muitas ideias tentando explicá-los.
"Estamos vivendo tempos incrivelmente empolgantes, com quase mil artigos e pré-publicações sobre pequenos pontos vermelhos nos últimos dois ou três anos," reconheceu Jorryt Matthee, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Áustria e coautor da nova proposta de interpretação.

Buraco negro em vez de fusão nuclear
A equipe acredita que a explicação mais provável para os estranhos pequenos pontos vermelhos é que se trata de uma mistura de um buraco negro e uma estrela, uma combinação nunca observada até hoje. Nessa interpretação, o objeto consistiria em uma nuvem de gás extremamente densa, mantida coesa pela atração gravitacional de um buraco negro funcionando como núcleo.
O principal elemento para essa interpretação é que a luz do ponto vermelho estudado é extremamente brilhante, exceto abaixo de certos comprimentos de onda, onde a luz desaparece completamente. Essa queda espectral é conhecida como "quebra de Balmer", uma assinatura tradicionalmente associada ao gás denso que absorve fótons nas atmosferas de estrelas com algumas centenas de milhões de anos. Vega, por exemplo, uma das estrelas mais brilhantes do céu noturno, apresenta exatamente esse padrão.
"A quebra que observamos neste objeto é a mais profunda que já vimos em qualquer objeto, descartando estrelas 'comuns' como fonte. Mas isso nos fez pensar se estaríamos vendo um novo tipo de 'atmosfera estelar', só que em uma escala espetacular," propõe Naidu.
Outro detalhe importante é que a luz do ponto vermelho quase não contém assinatura de metais ou quaisquer outros elementos além de hidrogênio e hélio, o que não bate com as estrelas que conhecemos, já que a fusão nuclear cria outros elementos.

Simulações computadorizadas
Para tentar entender os dados observacionais, a equipe realizou simulações de diferentes cenários para verificar qual combinação de características astrofísicas poderia produzir a cor característica do objeto.
"Começamos a nos perguntar: Seria possível criar algo tão vermelho usando apenas hidrogênio, sem nenhuma poeira?" contou Robert Simcoe, do MIT. "Para nossa surpresa, descobrimos que sim, se houver uma camada extremamente densa de hidrogênio, tão densa que se assemelha mais à superfície de uma estrela enorme do que a uma tênue nebulosa interestelar."
As simulações indicaram que o ponto vermelho poderia ser alguma poderosa fonte de energia envolta por um casulo extremamente denso de hidrogênio. Se esse fosse o caso, explicaria a quebra de Balmer, que bloqueia a luz, e a ausência de qualquer outro elemento além de hidrogênio e hélio. Mas ainda não explicaria o brilho extremo do objeto. "Você tem algo que se parece um pouco com uma estrela, mas é 100 bilhões de vezes mais brilhante," comparou Naidu. "Isso significa que não é possível usar a fusão nuclear como fonte de energia, que é a fonte de energia que está no centro de todas as estrelas que temos."
Foi aí que veio a ideia de transformar um buraco negro em um núcleo estelar, uma vez que esses devoradores de mundos produzem energia rotineiramente nas escalas observadas neste caso. Ao incorporar um buraco negro ativo em acreção nas simulações da pretensa estrela envolta em hidrogênio, a equipe conseguiu encontrar uma combinação de parâmetros, incluindo a massa do buraco negro, que chega ao brilho observado pelo James Webb. Nasceu então a nova hipótese da "estrela buraco negro".