Com informações do ESO - 24/07/2026

Exo-híbrido
Usando o telescópio VLT, astrônomos chilenos detectaram um corpo celeste semelhante a uma lua no sistema CD-35 2722, um sistema planetário localizado a cerca de 73 anos-luz da Terra.
Contrariamente aos satélites do nosso Sistema Solar, o objeto recém-descoberto não orbita um planeta, o que levanta questões sobre como ele deve ser classificado. Na verdade, o corpo celeste orbita uma anã marrom, por si só um objeto já enigmático, uma espécie de intermediário entre um planeta e uma estrela.
Um satélite costuma ser definido como um objeto que orbita outro objeto, podendo ser natural (como a nossa própria Lua) ou artificial (como os satélites de comunicação). Um exossatélite é um satélite situado fora do nosso Sistema Solar. É geralmente aceito que uma exolua seja um satélite natural que orbita um planeta fora do Sistema Solar, embora não exista ainda uma definição consensual para o termo.
O objeto maior e mais massivo desse sistema é a estrela CD-35 2722, que tem cerca de metade da massa do Sol. Em órbita desta estrela encontra-se uma anã marrom, um objeto massivo demais para ser catalogado um planeta, mas pequeno e frio demais para ser uma estrela. O candidato a exolua orbita essa anã marrom.
"Este sistema é um pouco difícil de definir utilizando termos comuns do nosso Sistema Solar, como 'planeta' e 'satélite'," comentou Kevin Hoy, da Universidade Diego Portales.
Outro complicador é que o pretenso exossatélite é gigantesco, muito maior do que qualquer lua do Sistema Solar: Ele tem pelo menos a mesma massa que Júpiter, enquanto a anã marrom que ele orbita tem mais de 30 vezes a massa de Júpiter. "O exossatélite é claramente massivo o suficiente para ser um planeta, mas não orbita uma estrela, embora orbite um objeto que, por sua vez, orbita uma estrela. O fato de se achar no terceiro nível neste sistema nos leva a querer identificá-lo como uma lua, mesmo que não se pareça em nada com as pequenas luas rochosas que vemos no nosso Sistema Solar," defende Diego.
Busca por exoluas
Independentemente da classificação que este novo corpo celeste vá receber oficialmente, há anos os astrônomos tentam detectar satélites fora do nosso Sistema Solar, mas ainda não foi descoberto nenhum com total certeza. Apesar dos mais de seis mil exoplanetas descobertos até hoje, surgiram apenas alguns candidatos a exossatélites, mas as evidências que os apoiam não são conclusivas - se fotografar um planeta ao redor de outra estrela já é difícil, imagine fotografar uma lua ao redor de um exoplaneta.
Para as observações de CD-35 2722, a equipe usou o instrumento CRIRES+, montado no telescópio VLT, recorrendo ao método das velocidades radiais, o mesmo utilizado para descobrir o primeiro exoplaneta em torno de uma estrela semelhante ao Sol. Essa técnica permitiu detectar pequenas oscilações na anã marrom, causada por um objeto em sua órbita, o que a equipe considera ser uma forte evidência da existência dessa exolua.
"Por mais exótico que seja, este sistema é verdadeiramente único e representa um importante avanço: A primeira detecção plausível de um exossatélite," arrisca a astrônoma Alice Zurlo, membro da equipe.