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Fapesp adere ao projeto do megatelescópio GMT

Fapesp adere ao projeto do megatelescópio GMT
O GMT (Giant Magellan Telescope), que está sendo construído no Chile por um consórcio internacional, terá os espelhos mais avançados do mundo.[Imagem: Todd Mason/Mason Productions/GMTO]

Um dos principais telescópios do mundo terá a participação de pesquisadores do Estado de São Paulo em suas operações.

O acordo é resultado da integração da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) no consórcio internacional do Grande Telescópio de Magalhães (GMT: Giant Magellan Telescope) (GMT), que começará a ser construído em 2015, nos Andes chilenos.

O GMT, que deverá funcionar plenamente em 2021, ampliará em cerca de 30 vezes o volume de informações acessíveis aos telescópios atualmente em operação.

A FAPESP investirá US$ 40 milhões, o que equivale a cerca de 4% do custo total estimado do projeto. O investimento garantirá 4% do tempo de operação do GMT para trabalhos realizados por pesquisadores de São Paulo, além de assento no conselho do consórcio.

A ampliação da participação de pesquisadores de instituições de outros estados do Brasil está sendo discutida com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), dependendo de cofinanciamento do órgão.

"Há o interesse genuíno de ambas as partes que pesquisadores de todos os estados possam usufruir do telescópio e se beneficiem das possibilidades de pesquisa abertas", Hernan Chaimovich, coordenador dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da FAPESP.

Megatelescópio

O GMT será instalado no Observatorio Las Campanas, na região do Atacama, na Cordilheira dos Andes, próximo à cidade chilena de Vallenar - região privilegiada para observações astronômicas por conta da altitude de mais de 2.500 m, da escuridão do céu do hemisfério Sul e do clima seco.

Os equipamentos permitirão aos astrônomos investigar a formação de estrelas e galáxias logo após o Big Bang, medir a massa de buracos negros e mapear o ambiente imediato em torno deles. Com o GMT será possível descobrir e caracterizar planetas em torno de outras estrelas, com possibilidade de detecção de exoplanetas semelhantes à Terra, e estudar a natureza da matéria e da energia escuras.

"Embora a descoberta de novos exoplanetas esteja crescendo exponencialmente, questões relevantes sobre como são formados os sistemas planetários e o quanto eles são estáveis requerem grande abertura e alta resolução espacial. Os estudos no GMT poderão mostrar, por exemplo, se planetas gasosos se formam como o nosso", estima o astrofísico João Evangelista Steiner, do IAG-USP.

O GMT usará sete dos maiores espelhos ópticos já construídos para formar um único telescópio de 25,4 metros de diâmetro. Lasers potentes serão usados para medir e corrigir distorções induzidas pela atmosfera da Terra, produzindo imagens de objetos celestes distantes com clareza sem precedentes.

A área coletora de fótons será cem vezes maior que a do telescópio espacial Hubble e a nitidez das imagens, no infravermelho, será dez vezes melhor.

Mais de uma centena de engenheiros e cientistas dos escritórios do GMT - localizados em Pasadena, na Califórnia (Estados Unidos) e nas instituições parceiras - estão envolvidos no desenvolvimento do projeto.

O primeiro espelho óptico, de 8,4 metros, já foi finalizado na Universidade do Arizona. Outros dois estão sendo lixados e polidos, e o vidro do quarto espelho deverá ser derretido no forno do laboratório em março de 2015.





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