Redação do Site Inovação Tecnológica - 27/05/2026

Hidrogênio branco
Será possível substituir a extração do petróleo e do gás natural, os combustíveis fósseis tidos como os principais causadores do aquecimento global, por uma mineração do hidrogênio, um combustível limpo por excelência?
Parece que sim. Pelo menos no Canadá, por enquanto.
Os geólogos Barbara Lollar e Oliver Warr, das universidades de Ottawa e Toronto, mediram pela primeira vez a liberação a longo prazo de hidrogênio gasoso natural, que emana de rochas antiquíssimas que compõem o chamado Escudo Canadense. Essa formação constitui o núcleo geológico da América do Norte, composto principalmente por rochas ígneas e metamórficas do período Pré-Cambriano (de 2,5 a 4,2 bilhões de anos). É uma das áreas geologicamente mais estáveis e mais ricas em minerais do planeta.
A dupla monitorou furos de sondagem feitos em uma mina em Ontário, confirmando que os pequenos furos liberaram hidrogênio continuamente - o monitoramento durou mais de dez anos.
Extrapolando para os quase 15 mil furos da mina, a produção total ultrapassa 140 toneladas de hidrogênio por ano, o que seria energia suficiente para abastecer mais de 400 residências continuamente. Ainda é pouco, mas esse chamado "hidrogênio branco" abre caminho para uma nova fonte mais limpa e potencialmente mais barata do que o hidrogênio industrial produzido atualmente.
"O elo comum é a rocha," disse Warr. "O hidrogênio natural é produzido nas mesmas rochas onde se encontram os depósitos de níquel, cobre e diamante do Canadá, e que estão atualmente sendo exploradas em busca de minerais críticos como lítio, hélio, cromo e cobalto. A localização conjunta dos recursos de mineração e da produção e uso de hidrogênio reduz a necessidade de longas rotas de transporte até o mercado, para o armazenamento de hidrogênio e para o desenvolvimento de grandes infraestruturas de hidrogênio."

Mineração de hidrogênio
O hidrogênio natural, até agora, foi estudado quase exclusivamente por microbiólogos interessados na biosfera subterrânea e na astrobiologia; sua contribuição potencial para a economia global era especulativa, baseada em modelos, e não em dados medidos, como os coletados agora.
Os geólogos usaram dados de uma mina em operação perto de Timmins, na província de Ontário. Cada um dos furos feitos na mina libera em média 8 quilogramas de hidrogênio por ano continuamente. A descarga total extrapolada é de mais de 140 toneladas de hidrogênio por ano, o que equivale a 4,7 milhões de quilowatts-hora anuais.
Os pesquisadores sugerem que esse recurso ainda inexplorado pode reduzir custos e pegadas de carbono das próprias minas e das comunidades no entorno, reduzindo os altos custos de transporte de combustível para localidades remotas. Para que isso possa ser analisado caso a caso, o estudo inclui uma metodologia para avaliar a viabilidade econômica do hidrogênio natural em todo o mundo, mapeando depósitos já conhecidos e ainda não descobertos.
"Há uma corrida global para aumentar a disponibilidade de hidrogênio para descarbonizar e reduzir os custos da economia existente do hidrogênio," disse Lollar. "Agora temos uma melhor compreensão da viabilidade econômica desse recurso."
A economia global do hidrogênio movimenta US$ 135 bilhões, com usos que vão da produção de aço e metanol à fabricação de fertilizantes. Atualmente, o hidrogênio é produzido por processos industriais intensivos em energia que convertem hidrocarbonetos de petróleo, gás natural e carvão, liberando monóxido de carbono e CO2. Mesmo o hidrogênio gerado a partir de fontes renováveis (o chamado hidrogênio verde) é caro e requer armazenamento e transporte de longa distância.