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Energia

Hidrogênio é extraído do metano sem produzir CO2

Redação do Site Inovação Tecnológica - 08/12/2017

Hidrogênio é extraído do metano sem produzir CO2
O hidrogênio é extraído do metano e gera carbono sólido como rejeito - que pode ser armazenado indefinidamente.
[Imagem: Brian Long]

Hidrogênio sem CO2

Acaba de ser inventada uma técnica para extrair hidrogênio do gás metano sem produzir CO2 (dióxido de carbono) no processo.

O hidrogênio é um combustível limpo, cuja queima só produz água, enquanto o metano é o mais simples dos hidrocarbonetos e o componente primário do gás natural. É um ótimo combustível, mas também um poderoso gás de efeito estufa.

O hidrogênio que usamos hoje já é produzido a partir do metano, por meio de um processo chamado "reforma a vapor do metano". O problema é que o processo consome muita energia e produz muito dióxido de carbono, que normalmente é liberado na atmosfera. Este é um dos principais gargalos à anunciada "economia do hidrogênio" - o hidrogênio propriamente dito é limpo, mas seu processo de obtenção é bem "sujo".

David Upham e seus colegas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos EUA, encontraram uma alternativa para isso.

Carbono sólido

A equipe desenvolveu um método de um único passo pelo qual o metano é convertido em hidrogênio, o que não é apenas mais simples e potencialmente mais barato do que os métodos convencionais de reforma do metano, como também o rejeito é uma forma sólida de carbono que pode ser facilmente transportada e armazenada indefinidamente.

O segredo do processo está no uso de metais e sais fundidos como sistemas catalíticos.

"Você introduz uma bolha de gás metano na base de um reator cheio desse metal fundido cataliticamente ativo. Conforme a bolha sobe, as moléculas de metano atingem a parede da bolha e reagem para formar carbono e hidrogênio," detalha o professor Eric McFarland.

O hidrogênio sai pelo topo do reator, enquanto o carbono sólido fica boiando no metal líquido, podendo ser retirado.

Segundo McFarland, a eletricidade produzida a partir do hidrogênio derivado desse processo livre de dióxido de carbono seria mais barata do que a atualmente gerada por energia solar, que, embora seja mais sustentável, ainda não é competitiva em termos de custo com os combustíveis fósseis.

A empresa Shell se interessou pela tecnologia e irá financiar os próximos passos da pesquisa, necessários para o escalonamento da tecnologia.

Bibliografia:

Artigo: Catalytic molten metals for the direct conversion of methane to hydrogen and separable carbon
Autores: David Chester Upham, Vishal Agarwal, Alexander Khechfe, Zachary R. Snodgrass, Michael J. Gordon, Horia Metiu, Eric W. McFarland
Revista: Science
Vol.: 358, Issue 6365, pp. 917-921
DOI: 10.1126/science.aao5023






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