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Ilha mágica em lua de Saturno intriga astrônomos

A "ilha" surgiu nas imagens feitas pela sonda Cassini, mas depois desapareceu. [Imagem: NASA/JPL-Caltech/USGS]

Ilha de Titã

Um fenômeno que vem sendo chamado de "ilha mágica", foi observado em julho do ano passado pela sonda Cassini, em Titã, maior lua de Saturno.

A sonda observou a "ilha" - na realidade, uma mancha brilhante - durante um sobrevoo por Ligeia Mare, um lago de metano e etano do polo norte de Titã.

Mas, em suas passagens seguintes, a ilha havia desaparecido. Em 2012, astrônomos haviam encontrado um "primo" de um lago africano em Titã.

"Ilha mágica é o termo coloquial que estamos usando para nos referir a esse fenômeno, mas na realidade não achamos que se trata de uma ilha", explicou Jason Hofgartner, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos.

Hofgartner é um dos autores de um estudo que levanta hipóteses sobre as origens do fenômeno.

"Temos quatro hipóteses diferentes para explicar as causas desse fenômeno: ondas, bolhas de gás, sólidos flutuantes e sólidos em suspensão," diz o pesquisador, acrescentando que, como a luminosidade apareceu e desapareceu muito rapidamente, é improvável que ela tenha sido causada por uma ilhota vulcânica.

Mares de petróleo

A maior lua de Saturno chama a atenção de cientistas por ter características semelhantes às da Terra.

Ela tem, por exemplo, uma atmosfera espessa, além de uma superfície moldada por ventos e chuvas, com rios, mares e dunas.

As montanhas e dunas de Titã, porém, são feitas de gelo, não de rochas ou areia. E, em vez de água, seus lagos são formados por hidrocarbonetos líquidos.

Os mares e lagos de sua região polar, por exemplo, são repletos de metano e etano, substâncias gasosas na Terra, mas que, nas temperaturas típicas de Titã - de 180ºC negativos - existem em estado líquido.

Titã também tem algo semelhante às estações do ano da Terra, embora seu ciclo sazonal seja de 30 anos.

Com a aproximação do solstício de verão em Titã, que será em maio de 2017, o nível de atividade atmosférica no norte dessa lua tende a crescer. "À medida em que o verão se aproxima, mais energia do sol é depositada no hemisfério norte de Titã", diz Hofgartner.


A sonda Huygens aterrissou em Titã em 2005, mas esteve longe de responder a todas as perguntas sobre a promissora lua de Saturno. [Imagem: NASA]

Hipóteses para a ilha de Titã

Os ventos também tendem a ficar mais fortes com a mudança na estação de Titã, causando ondas na superfície de seus lagos e mares.

São essas ondas a primeira das possíveis explicações para a "ilha mágica" - até porque os cientistas já detectaram evidências de ondas em outro lago da lua, conhecido como Punga Mare.

A segunda explicação possível é que a mancha de luz (ou "ilha mágica") poderia ter sido causada por sólidos flutuantes - os icebergs.

Esses icebergs não poderiam ser formados por gelo de água, porque afundariam no mar de hidrocarboneto líquido. Seriam, portanto, de uma mistura congelada de metano e etano.

Já os sólidos em suspensão - a terceira possível causa da mancha de luz - poderiam ser poliacetileno, um composto orgânico de baixa densidade que os cientistas acreditam fazer parte da atmosfera de Titã.

A última hipótese é que a luminosidade que a Cassini observou foi provocada por gases emergindo de fissuras vulcânicas submarinas para a superfície de seu lago.

Mais observações e estudos são necessários, porém, para que se determine quais dessas hipóteses são mais prováveis.

"Parece que algo está acontecendo em Ligeia Mare. Titã não pára de nos surpreender,", diz John Zarnecki, professor emérito da Open University, coautor de um estudo sobre a altura das ondas em Titã.

"Essa é mais uma evidência de que precisamos voltar para lá com uma missão, preferivelmente para pousar em um de seus mares. Só então entenderemos o que está acontecendo nesse lugar incrível," concluiu ele.

Bibliografia:

Transient features in a Titan sea
J. D. Hofgartner, A. G. Hayes, J. I. Lunine, H. Zebker, B. W. Stiles, C. Sotin, J. W. Barnes, E. P. Turtle, K. H. Baines, R. H. Brown, B. J. Buratti, R. N. Clark, P. Encrenaz, R. D. Kirk, A. Le Gall, R. M. Lopes, R. D. Lorenz, M. J. Malaska, K. L. Mitchell, P. D. Nicholson, P. Paillou, J. Radebaugh, S. D. Wall, C. Wood
Nature Geoscience
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/ngeo2190




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