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Lei do mundo real: Nem tudo dobra a cada 18 meses

Lei do mundo real: Nem tudo dobra a cada 18 meses
"Seria maravilhoso se as empresas de TI e seus pioneiros visionários dedicassem dos dos seus lucros, que crescem exponencialmente, aos problemas exponencialmente crescentes do nosso mundo," diz o professor Roland Siegwart.[Imagem: Tom Kawara/ETH Zurich]

Leis para o mundo virtual

Eu estive recentemente no Swiss Startup Day, onde assisti a uma apresentação em vídeo dada por Peter Diamandis. Este carismático norte-americano é fundador e CEO da Fundação XPRIZE, que realiza concursos para premiar avanços técnicos e científicos.

Diamandis deu uma explicação floreada da "inovação disruptiva" tornada possível pelo aumento exponencial do poder da computação e do volume de dados disponíveis. Ele se referiu à Lei de Moore, que mostra como o poder de processamento por processador dobrou aproximadamente a cada 18 meses desde 1971.

Esse fenômeno tem sido a força motriz por trás da digitalização; os telefones celulares de hoje têm mais poder de processamento do que a NASA usou para levar os astronautas à Lua nos anos 1960. É um desenvolvimento que permite modelos de negócios inteiramente novos, como o Google Maps, AirBnB e Uber, que ajudam a tornar nossas vidas mais fáceis e mais eficientes.

Leis diferentes para o mundo real

Pioneiros do Vale do Silício, como Peter Diamandis e Elon Musk, que se tornaram poderosos e famosos com base nesse desenvolvimento exponencial, agora acreditam que podem resolver todos os problemas do mundo da mesma maneira.

Mas suas visões e prognósticos eufóricos são muitas vezes apenas ar quente e autorretratos; o mundo real tem leis diferentes do mundo dos dados. Mesmo que os computadores atinjam o poder de computação do cérebro humano até 2023, eles certamente não rivalizarão com os humanos em termos de inteligência e criatividade.

Infelizmente, as leis científicas para energia, nutrição ou mudanças climáticas não refletem as leis exponenciais do mundo da informática. Você não pode dirigir duas vezes mais com um litro de gasolina a cada 18 meses, nem pode dobrar o rendimento da mesma área agrícola a cada 18 meses por meio de avanços tecnológicos.

Lei do mundo real: Nem tudo dobra a cada 18 meses
Teoria Gaia 2.0: A evolução tanto dos seres humanos quanto de sua tecnologia pode adicionar um novo nível de "autoconsciência" à autorregulação da Terra. [Imagem: Domínio Público]

O progresso no desenvolvimento de baterias melhores para carros elétricos, celulares ou aparelhos auditivos também é lamentavelmente lento: a densidade de energia (energia armazenada por quilograma) das baterias de íons de lítio usadas nesses sistemas sequer dobrou nos últimos 10 anos. Apesar dos muitos resultados espetaculares dos laboratórios de pesquisa, é improvável que nos próximos anos vejamos novos conceitos de bateria que possam elevar exponencialmente a densidade de energia. A densidade de energia das baterias e os rendimentos das terras agrícolas têm limites físicos que não podem ser simplesmente dissipados por promessas arrebatadoras.

Assim, embora a informatização possa ajudar a tornar os veículos, as redes elétricas ou a agricultura mais eficientes e sustentáveis, isto será feito em pequenos passos, e não em grandes saltos.

Grandes ganhos

Nós precisamos progredir urgentemente em áreas como a oferta global de alimentos, as mudanças climáticas e o fornecimento sustentável de energia - e isso exige pesquisa e desenvolvimento extensivos e uma reflexão social.

Nessas questões cruciais, não serão passos disruptivos que encherão rapidamente os cofres das empresas. Investimentos reais no futuro são de longo prazo e intensivos em capital; em vez de gerar enormes lucros, eles criam um mundo melhor.

Seria maravilhoso se as empresas de TI e seus pioneiros visionários dedicassem mais dos seus lucros, que crescem exponencialmente, aos problemas exponencialmente crescentes do nosso mundo, a fim de resolver os desafios reais enfrentados pela humanidade.

Porque um mundo melhor seria de fato um grande ganho.





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