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Luva refrigerada para atletas supera esteroides

Luva refrigerada para atletas supera esteroides
Os pesquisadores já estão contando com a ajuda de colegas especializados em design para dar um banho de loja no aparelho, com vistas à sua comercialização. [Imagem: Steve Fyffe/Stanford]

Amigo urso

Uma luva capaz de resfriar rapidamente a palma das mãos dos atletas pode ser uma opção bem mais eficaz e menos arriscada do que o uso de esteroides anabolizantes.

A descoberta inusitada veio quando Dennis Grahn e Craig Heller, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, estudavam ursos.

Os ursos são animais com um isolamento térmico muito bom, um pesado casaco de peles e uma espessa camada de gordura subcutânea, que os ajuda a manter a temperatura do corpo quando eles hibernam durante o inverno.

Mas, quando chega a primavera e as temperaturas sobem, estes ursos enfrentam um risco muito maior de superaquecimento do que de hipotermia.

Então, como eles fazem para se livrar do calor se sua camada de isolamento não se altera?

Radiadores naturais

A resposta é que, assim como quase todos os mamíferos, os ursos possuem radiadores naturais: áreas do corpo não cobertas por pêlos e ricamente irrigadas por veias muito próximas à superfície da pele, que os permite jogar seu calor interno excessivo para o ambiente.

Os coelhos têm esses radiadores naturais nas orelhas, os ratos os têm no rabo e os cachorros na língua. Os ursos eliminam o calor pela almofada das patas.

Como se pode deduzir, os humanos temos radiadores naturais nas palmas das mãos. Esses são os mais eficientes, porque temos trocadores de calor também na face e nos pés.

Embora normalmente não tenhamos problemas de superaquecimento, um atleta que chega ao limite de seus esforços físicos durante um treinamento ou uma prova se vê às voltas com uma situação muito parecida com a de um urso no verão.

Grahn e Heller então se deram conta que poderiam ajudar os atletas criando uma forma de acelerar essa troca de calor.

O que eles não esperavam era que o resultado fosse tão bom.

"Nós realmente tropeçamos nisso por acidente," confessa Grahn. "Tudo o que queríamos era um modelo para estudar a dissipação de calor."

Extração do cansaço

Quando a técnica de retirar o calor do corpo pela mão foi aplicada a um atleta da própria equipe de pesquisadores, o relato foi de que a fadiga pelos exercícios da academia praticamente desaparecia instantaneamente com o uso da luva-geladeira.

Testes mais criteriosos feitos a seguir mostraram que, após o uso do aparelho, o atleta consegue fazer tantas repetições do exercício quantas ele fez na primeira execução, quando estava totalmente descansado.

Mas isso não era tudo: os cientistas começaram a resfriar o atleta depois de cada série de exercícios.

"Então, em seis semanas, ele passou de 180 levantamentos [de peso] para 620," conta Heller. "É uma taxa de melhoria no desempenho físico sem precedentes."

Os pesquisadores então aplicaram o método de resfriamento a outros tipos de exercícios, incluindo supino, corrida e ciclismo.

Em todos os casos, as taxas de melhoria no rendimento foram dramáticas - melhor do que esteroides, dizem os pesquisadores.

Atletas e emergências médicas

A versão mais recente do invento consiste de uma luva plástica rígida ligada a um refrigerador portátil.

A luva cria uma ligeira sucção na mão, fazendo com que as veias da palma da mão - chamadas anastomoses arteriovenosas - se expandam, puxando mais sangue para o resfriamento.

Os pesquisadores já estão contando com a ajuda de colegas especializados em design para dar um banho de loja no aparelho, com vistas à sua comercialização.

Além dos atletas, eles afirmam que as aplicações médicas terão muito a ganhar com a luva resfriadora, sobretudo em emergências médicas, como a hipertermia ou o estresse termal.

Bibliografia:

Enhancing Thermal Exchange in Humans and Practical Applications
H. Craig Heller, Dennis A. Grahn
Disruptive Science and Technology
Vol.: 1(1): 11-19
DOI: 10.1089/dst.2012.0004




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