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Nanotecnologia

Para uma nanotecnologia melhor, troque a fita adesiva por mica

Redação do Site Inovação Tecnológica - 21/08/2026

Trocar fita adesiva por mica impulsiona nanotecnologia
A nova técnica de fabricação para heteroestruturas 2D - materiais com apenas alguns átomos de espessura - poderá ser usada em tecnologias quânticas e eletrônicas.
[Imagem: University of Southampton]

Alta tecnologia da fita adesiva

A ciência está cheia de detalhes pitorescos, e um dos casos curiosos mais recentes envolveu a descoberta do grafeno: O material ultra-mega-tecnológico foi isolado usando uma fita adesiva colada e retirada da superfície de um pedaço de carvão.

E não achem que melhorou muito desde então: Os métodos atuais de fabricação dos materiais bidimensionais, ou materiais de van der Waals, que hoje compõem uma família enorme, continuam dependendo de polímeros adesivos para montar as camadas atômicas.

Um passo importante para sairmos desse constrangimento acaba de ser dado por Ian Babich e colegas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, que trocaram a fita adesiva pelo mineral natural muscovita, ou mica, cuja dureza torna o material monoatômico plano e oferece superfícies melhores para empilhar com precisão as camadas atômicas umas sobre as outras.

"Como a mica é um cristal inorgânico, e não um polímero macio, ela evita muitos dos problemas de contaminação que afetam os métodos convencionais, disse o professor Alexey Berdyugin. "Ela também produz superfícies ultralimpas, permitindo que os componentes eletrônicos funcionem em todo o seu potencial."

Trocar fita adesiva por mica impulsiona nanotecnologia
Esquema da técnica usando mica para produzir camadas monoatômicas.
[Imagem: University of Southampton]

Vantagens da mica

Curiosamente, a mica é um análogo perfeito, em macroescala, dos materiais formados por camadas atômicas únicas: Esse aluminossilicato é facilmente dividido em folhas extremamente finas. Essas camadas - que são super grossas em comparação com o grafeno e similares - apresentam uma combinação única de isolamento elétrico, estabilidade térmica e reflexão óptica, o que lhe garante inúmeras aplicações industriais.

Foram essas características que permitiram que a equipe usasse a temperatura como elemento de controle para criar um processo de gruda/desgruda, com a grande vantagem de que nenhum elemento da mica passa para o material monoatômico que está sendo produzido.

Isto permite a coleta, o empilhamento e a liberação precisas dos materiais 2D, enquanto a natureza cristalina e inorgânica da mica garante interfaces perfeitas, suprimindo qualquer tensão que poderia rasgar os delicados materiais monoatômicos.

"Nosso novo método nos permite alinhar as camadas com precisão para criar essas estruturas complexas que antes eram muito difíceis de produzir. Esse nível de precisão é vital para a pesquisa de materiais quânticos, onde até mesmo uma pequena quantidade de contaminação pode obscurecer os resultados," disse o pesquisador Makars Siskins.

"[A mica] pode nos ajudar a finalmente desbloquear todo o poder dessas eletrônicas avançadas de heteroestruturas 2D, levando a grandes avanços tanto na ciência fundamental quanto na futura tecnologia quântica," acrescentou Berdyugin.

Bibliografia:

Artigo: Polymer-free van der Waals assembly of 2D material heterostructures using muscovite crystals
Autores: Ian Babich, Timofey M. Savilov, Natalia A. Mamchik, Kristina Vaklinova, Nansi Zhou, Denis S. Baranov, Dmitrii A. Litvinov, Virgil Gavriliuc, Yue Yuan, Amoz Chua, Kenji Watanabe, Takashi Taniguchi, Mario Lanza, Maciej Koperski, Kostya S. Novoselov, Alexey I. Berdyugin, Makars Siskins
Revista: Nature Communications
Vol.: 17, Article number: 6017
DOI: 10.1038/s41467-026-72554-x
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