Robótica

Microagentes replicantes prometem não fugir das fábricas

Microagentes replicantes prometem reinventar a química
Lablets - algo como "laboratorietes" - vão se automontar e controlar processos de fabricação de produtos químicos, unindo computação com fabricação.[Imagem: John McCaskill]

Computação incorporada

John McCaskill, da Universidade de Rurh, na Alemanha, venceu um concurso promovido pela União Europeia chamado "Computação Não Convencional".

O prêmio, de €3,4 milhões, será usado para colocar a ideia em prática.

A proposta é construir microagentes eletrônicos autônomos, que consigam se estruturar sozinhos, trocando informações uns com os outros, quase como se fossem células.

Esses microagentes vão trocar informações eletrônicas e químicas para coordenar reações complexas e para analisar as soluções onde forem mergulhados.

Segundo McCaskill, é mais do que computar, "é computar e construir ao mesmo tempo", diz ele, afirmando que sua proposta é uma espécie de computação incorporada.

Microagentes

O nome do projeto - MicreAgents - é uma sigla para Microscopic Chemically Reactive Electronic Agents, agentes eletrônicos microscópicos quimicamente reativos, em tradução livre.

Cada microagente terá seus circuitos eletrônicos construídos com chips 3D, para economizar espaço - cada um deles medirá cerca de 100 micrômetros.

Quando postos em uma solução, os microagentes vão se unir autonomamente, como se fossem blocos de lego, para formar compartimentos onde as reações químicas acontecerão.

Segundo o pesquisador, a plataforma poderá concentrar, processar e liberar compostos químicos na solução, sob controle eletrônico local, de forma similar ao papel que as informações genéticas desempenham no controle dos processos químicos celulares.

Assim, em vez de construir reatores químicos para sintetizar compostos, os microagentes serão "despejados" nos compostos químicos, organizando as reações de dentro para fora.

Máquina universal de construção

Os microagentes representam uma nova forma de computação associada com fabricação.

Usando automontagem e algoritmos evolutivos, eles representam um passo importante em direção à realização da máquina universal de construção de John von Neumann.

Mas, para acalmar os ânimos, os pesquisadores afirmam que, embora estas estruturas em microescala sejam suficientemente complexas para permitir a autorreplicação de suas características químicas e de suas informações eletrônicas, eles não representam uma ameaça de proliferação descontrolada.

Para funcionar, eles dependem dos seus circuitos eletrônicos, e estes os microagentes não conseguirão replicar.

De posse de todos os recursos que pediram, McCaskill e seus colegas comprometem-se a mostrar seus microagentes na prática em um prazo máximo de três anos.

Aplicações químicas práticas

Os microrreatores inteligentes e automontantes poderão ser programados para amplificação molecular e outras vias de processamento químico que começam a partir de misturas complexas, com utilidade prática na indústria.

Eles poderão também ser usados na concentração e purificação de produtos químicos, realização de reações programadas em cascata, detecção do término de reações e transporte e liberação de produtos em locais definidos.





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