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Nasa renova convênio com Agência Espacial Brasileira

Nasa renova convênio com Agência Espacial Brasileira
Antena do Rádio-Observatório Espacial do Nordeste, localizado próximo a Fortaleza, no Ceará, cujos dados ajudam a corrigir o posicionamento dos satélites GPS.[Imagem: INPE]

Radiotelescópio brasileiro

A Nasa acaba de renovar por mais cinco anos o convênio para o programa de geodésia espacial mantido entre os Estados Unidos e o Brasil.

Conforme o professor e coordenador do Centro de Radioastronomia e Astrofísica da Universidade Mackenzie (CRAAM), Pierre Kaufmann, a renovação é uma consequência da qualidade dos resultados obtidos no Rádio Observatório, situado na unidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na cidade de Eusébio, no Ceará.

Satélites GPS

O observatório de Eusébio - que funciona desde 1993 -, juntamente com uma rede mundial de radiotelescópios, é responsável por detectar irregularidades na rotação da Terra. Esta atividade serve para realizar pequenos ajustes nas órbitas dos satélites.

Pierre Kaufmann explica que, sem esses ajustes de órbitas, os satélites da constelação GPS poderiam fornecer informações incorretas. "Ao redor do mundo essas mudanças geodésicas são processadas e os modelos que descrevem as órbitas dos satélites são refeitos", diz o coordenador do CRAAM/Inpe.

Essas anomalias geofísicas da Terra são decorrentes de atividades vulcânicas e sísmicas, tsunamis, e até o fenômeno climático El Niño. Kaufmann adianta que existe um esforço mundial para que essas medidas de irregularidades da rotação da Terra também possam ser usadas para a previsão de catástrofes naturais, como terremotos.

Radioastronomia

Situado em Eusébio, próximo a Fortaleza, o Rádio Observatório Espacial do Nordeste (ROEN) integra redes internacionais e apoia programas brasileiros de geodésia, cartografia e navegação. O observatório consiste de uma antena parabólica com 14,2 metros de diâmetro, dotada da mais moderna e sofisticada instrumentação eletrônica para operar em programas de Geodésia Espacial.

A tecnologia utilizada é a chamada radioastronomia. Os quasares, situados a bilhões de anos-luz de distância, constituem fontes de rádio de referência, uma espécie "balizas espaciais." Com dois ou mais radiotelescópios de uma rede observando simultaneamente, obtêm-se a interferência das ondas de rádio. A observação destes objetos por vários radiotelescópios de uma rede de milhares de quilômetros permite a determinação de posições absolutas na superfície da Terra, com precisão inferior a um centímetro. Dadas as grandes distâncias que separam os terminais desta rede, denomina-se o método de VLBI (de very long baseline interferometry: interferometria de muito longa linha de base).

Aplicações da radioastronomia

O programa global de geodésia espacial, fazendo uso de VLBI, é essencial para várias aplicações modernas em cartografia, navegação e geodésia de precisão, bem como para programas de pesquisas envolvendo irregularidades da rotação da Terra, geodinâmica, movimento de placas tectônicas e sismologia, e avaliação quantitativa de mudanças globais do planeta.

São exemplos de aplicações do ROEN: suporte a serviços de cartografia, geodésia, navegação (que fazem uso da constelação de satélites GPS, cujos elementos orbitais são o tempo todo corrigidos a partir dos terminais de VLBI), navegação de sondas espaciais, orbitografia de satélites artificiais e disseminação da hora certa absoluta.

Plasticidade da Terra

O monitoramento realizado a partir da rede de VLBI geodésico pretende investigar os movimentos plásticos do planeta, provocados por deriva dos continentes, movimentos de placas tectônicas com pesquisa sobre previsão de terremotos.

As irregularidades do movimento de rotação da Terra são medidas por VLBI com precisão 100 vezes melhor do que métodos ópticos tradicionais. Com isso descobriu-se existir estreita associação entre determinados fenômenos meteorológicos globais de grande escala (como o El Niño).

Através do suporte de VLBI geodésico, é possível calibrar posições geodésicas absolutas de medidores de marés oceânicas para assim avaliar, no curso de pelo menos 10 anos, um eventual aumento do nível do mar que seria provocado pelo derretimento do gelo nas calotas polares do planeta.

Entre os instrumentos do ROEN destacam-se padrões atômicos maser de hidrogênio, os mais precisos do mundo, receptores de elevada sensibilidade operando a baixíssimas temperaturas (receptores criogênicos) e sistema de aquisição de dados MARK III com capacidade de processamento superior a 100 Mbit/s.





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