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Telescópio de infravermelho revela segredos escondidos do Gato Celeste

Nebulosa Pata de Gato: maternidade de estrelas vista em infravermelho
À esquerda, a imagem da Nebulosa Pata de Gato vista em infravermelho, na foto agora feita pelo telescópio VISTA. À direita, a imagem feita em luz visível. No infravermelho, a poeira que obscure muitas estrelas torna-se quase transparente, revelando uma multidão de novas estrelas até agora invisíveis.[Imagem: ESO/J. Emerson/VISTA]

Nebulosa Pata de Gato

Na direção do centro da Via Láctea, a 5.500 anos-luz da Terra, na constelação do Escorpião, a Nebulosa Pata de Gato estende-se ao longo de 50 anos-luz.

Também conhecida por NGC 6334, a Nebulosa Pata de Gato é uma enorme maternidade de estrelas, o local de nascimento de centenas de estrelas muitos grandes.

Isso a torna um local onde as coisas acontecem muito rapidamente, podendo fornecer dados novos aos astrônomos. É por isso que eles estão sempre fotografando essa nebulosa.

Foto em infravermelho

Agora, o Observatório Europeu do Sul (ESO) divulgou uma nova campanha de observações, uma das primeiras de um novo telescópio super sensível, que captou imagens que revelam a Nebulosa Pata de Gato na faixa da radiação infravermelha.

Em luz visível, o gás e poeira são iluminados por estrelas quentes jovens, criando estranhas formas avermelhadas, parecidas com as pegadas de um gato, que dão ao objeto o seu nome. Uma imagem recente, feita pelo instrumento WFI (Wide Field Imager), em operação no Observatório de La Silla, capturou esta luz visível em grande detalhe - veja Nebulosa mostra rastros de um gato celeste imaginário.

Mas a radiação infravermelha penetra o gás brilhante e as nuvens de poeira que obscurecem a imagem tradicional, permitindo a observação das estrelas jovens até então escondidas.

Com a observação no infravermelho, torna-se possível observar objetos invisíveis nos comprimentos de onda do visível. A radiação visível tende a ser dispersada e absorvida pela poeira interestelar, mas esta poeira é praticamente transparente à radiação infravermelha.

As observações feitas no infravermelho são significativamente diferentes das observações feitas no visível. Devido à menor obstrução da visão por parte da poeira, os astrônomos podem aprender muito mais sobre como estas estrelas se formam e se desenvolvem nos primeiros milhões de anos da sua vida.

O grande campo de visão do VISTA permite a observação de toda a região de formação estelar de uma só vez com o maior nível de detalhamento obtido até hoje.

Telescópio infravermelho

As imagens foram obtidas com o telescópio de rastreamento VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) situado no Observatório do Paranal, no Chile, que possui um espelho quase perfeito, com 4,1 metros de diâmetro.

O telescópio VISTA, a mais recente adição ao Observatório do Paranal, no deserto chileno do Atacama, é o maior telescópio de rastreamento do mundo.

Ele trabalha nos comprimentos de onda do infravermelho, o que o torna capaz de observar através da poeira, talvez um dos aspectos mais belos da nebulosa, mas também um dos mais incômodos para os astrônomos.

O VISTA recebeu o seu espelho principal de 4,1 metros de diâmetro em 2008. Ele está também equipado com a maior câmara infravermelha já construída para um telescópio. Instalado em um pico adjacente, o VISTA partilha das soberbas condições de observação do Very Large Telescope (VLT).

Super estrelas jovens

Com este poderoso instrumento ao seu dispor, os astrônomos mal podiam esperar para observar o nascimento de estrelas jovens gigantes na Nebulosa Pata de Gato, algumas com dez vezes mais massa do que o Sol.

A imagem mostra inúmeras estrelas sobrepostas a filamentos de poeira escura que agora foram observados pela primeira vez na sua totalidade.

A poeira é suficientemente espessa em alguns lugares para bloquear até a radiação no infravermelho próximo, à qual a câmara do VISTA é sensível. Em muitas das áreas com mais poeira, como as mais próximas do centro da imagem, aparecem zonas alaranjadas - evidência de outras estrelas jovens ativas escondidas e suas respectivas emissões de radiação.

No entanto, mais para as bordas da imagem, são reveladas estrelas ligeiramente mais velhas, revelando os processos que as levam desde a sua primeira fusão nuclear pelo caminho incerto dos primeiros milhões de anos das suas vidas.

Telescópio de rastreamento

O telescópio VISTA está apenas começando vários grandes rastreios do céu do hemisfério Sul, um trabalho que durará vários anos.

O enorme espelho do telescópio, as imagens de alta qualidade, a câmara muito sensível e o enorme campo de visão tornam-no o telescópio de rastreamento no infravermelho mais poderoso do mundo. Seu objetivo final é fazer um mapeamento tridimensional de todo o céu meridional.

Estas imagens extraordinárias, que não poderiam ser obtidos de outro modo vão, deverão manter os astrônomos ocupados por décadas para analisar todos os dados.





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