Redação do Site Inovação Tecnológica - 15/09/2026

Espumas metálicas
Até algumas décadas atrás, os para-choques dos automóveis eram de aço: A lataria do veículo até que ficava melhor protegida, mas a quase total ausência de absorção significava que quem pagava a conta eram os passageiros, o que levou à criação dos atuais para-choques de polipropileno e espumas do mesmo material.
Mas os metais tiveram tempo de evoluir, e agora eles podem voltar aos para-choques na forma de espumas metálicas, com a promessa de melhorar significativamente a segurança dos automóveis em colisões.
As espumas de matriz metálica, ou CMF (Composite Metal Foam) são espumas compostas por esferas ocas - feitas de metais ou ligas como o aço - embutidas em uma matriz metálica. O material resultante é leve e notavelmente resistente, absorvendo forças de compressão e impacto, com aplicações potenciais que vão desde asas de aeronaves e blindagem de veículos até coletes à prova de balas.
Utilizando modelos computacionais para realizar simulações detalhadas, pesquisadores constataram que a incorporação do compósito de espuma metálica nas barras dianteiras dos automóveis permitirá que elas absorvam muito mais energia durante impactos de alta velocidade.
"O CMF é mais leve que os metais convencionais sem sacrificar a resistência, e nosso trabalho aqui nos mostra que sua estrutura única permite que ele absorva melhor a energia durante impactos de alta velocidade," relata a professora Afsaneh Rabiei, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA. "Isso é importante, porque reduz a taxa de desaceleração de um veículo durante uma colisão - e uma desaceleração mais lenta melhora a segurança do motorista e dos passageiros."

Tecnologias de para-choques
Durante uma colisão frontal de alta velocidade, o sistema de para-choques de um automóvel transfere a energia do impacto para as longarinas dianteiras, projetadas para absorver essa energia. Essas longarinas dianteiras devem deformar-se de forma a limitar a quantidade de energia transferida para os ocupantes do veículo e impedir que o veículo desacelere muito rapidamente, o que pode gerar ferimentos graves, incluindo traumatismo craniano.
Dois projetos comuns de longarinas dianteiras em veículos comerciais são a "seção transversal retangular" e a "seção transversal octogonal dupla". As longarinas de seção transversal retangular são retângulos longos e ocos de aço; as longarinas octogonais duplas consistem em dois octógonos longos e ocos de alumínio empilhados um sobre o outro.
O objetivo da equipe foi comparar o desempenho desses projetos de longarinas dianteiras com o de longarinas compostas por um tubo de alumínio com um núcleo de espuma metálica de aço. Para isso, eles fizeram todas as comparações usando para-choques de todos os projetos e materiais com o mesmo peso e comprimento.
As longarinas dianteiras de compósito metálico permitiram que o veículo suportasse velocidades de impacto muito maiores antes de atingir os limites críticos de segurança. Em comparação com as longarinas dianteiras convencionais, o veículo pode viajar cerca de 34% mais rápido antes de atingir o limite crítico de gravidade do impacto e cerca de 40% mais rápido antes de atingir o limite de lesão na cabeça. Em comparação com as longarinas dianteiras retangulares, esses limites aumentaram em cerca de 32% e 48%, respectivamente.
Em comparação com os trilhos octogonais duplos, os para-choques de compósito metálico reduziram a desaceleração máxima sofrida durante a colisão em cerca de 38%, a gravidade geral da colisão em cerca de 45% e o Critério de Lesão na Cabeça (HIC) - uma medida da probabilidade de lesão grave na cabeça - em cerca de 45%. Em comparação com os trilhos retangulares na mesma velocidade de impacto de 88 km/h, os para-choques de espuma metálica reduziram a desaceleração máxima em cerca de 84%, a gravidade da colisão em cerca de 94% e o HIC em cerca de 83%.

Também para veículos elétricos
Combinando com a resistência ao calor e ao fogo já demonstrada pelas espumas metálicas, estes novos resultados também apontam para aplicações em veículos elétricos, incluindo estruturas projetadas para ajudar a proteger as baterias contra danos causados por colisões.
E a segurança aprimorada não exige sacrificar a economia de combustível: As longarinas de CMF tinham o mesmo comprimento e peso das longarinas dianteiras convencionais com as quais foram comparadas.
"Isso também significa que seria possível reduzir o comprimento das longarinas dianteiras, ainda assim melhorar a segurança e tornar os veículos mais eficientes em termos de consumo de combustível," disse Rabiei.