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Pilares da Destruição: Estrelas que destroem seus berços

Pilares da Destruição: Estrelas que destroem seus berços
Esta imagem mostra a região R44, no coração da Nebulosa Carina, a 7.500 anos-luz de distância da Terra. As estrelas massivas nesta região de formação estelar estão destruindo lentamente os pilares de gás e poeira a partir dos quais se formaram. [Imagem: ESO/A. McLeod]

Criação e Destruição

Com o auxílio do instrumento MUSE montado no telescópio VLT, no Chile, foram feitas novas observações de enormes estruturas em forma de pilares no coração da Nebulosa Carina.

O grande poder do MUSE é ser capaz de criar milhares de imagens da nebulosa ao mesmo tempo, cada uma em um diferente comprimento de onda. Isto permite aos astrônomos mapear propriedades químicas e físicas do material em diferentes pontos da nebulosa.

Imagens de estruturas semelhantes, os famosos Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia e formações em NGC 3603, foram combinadas com as novas imagens. No total, foram observados dez pilares, tendo-se detectado uma ligação clara entre a radiação emitida por estrelas massivas próximas e as estruturas dos pilares propriamente ditos.

O que ficou claro é que os diferentes pilares analisados agora parecem ser pilares de destruição.

As estruturas da Nebulosa Carina consistem em vastas nuvens de gás e poeira situadas no coração desta região de formação estelar, a cerca de 7.500 anos-luz de distância da Terra.

Fotoevaporação

Um aspecto irônico do nascimento de uma estrela é que uma das primeiras consequências da formação de uma estrela massiva é que o novo astro começa a destruir a nuvem a partir da qual se formou.

A ideia de que estrelas massivas têm um efeito considerável no meio que as rodeia não é nova: sabe-se que tais estrelas emitem enormes quantidades de radiação ionizante - emissão esta com energia suficiente para arrancar dos átomos seus elétrons em órbita. No entanto, é muito difícil obter evidências observacionais da interação entre estas estrelas e o meio que as envolve.

Pilares da Destruição: Estrelas que destroem seus berços
Esta imagem composta mostra vários pilares no coração da Nebulosa Carina. [Imagem: ESO/A. McLeod]

A equipe analisou o efeito desta radiação energética nos pilares: um processo conhecido por fotoevaporação, que ocorre quando o gás é ionizado e se dispersa. Ao observar os resultados da fotoevaporação - que incluiu a perda de massa dos pilares - a equipe conseguiu encontrar os culpados. Existe uma correlação clara entre a quantidade de radiação ionizante emitida pelas estrelas próximas e a dissipação dos pilares.

Este fato pode parecer uma calamidade cósmica, com as estrelas massivas "atacando" os seus progenitores. No entanto, a complexidade dos mecanismos de feedback entre as estrelas e os pilares não é bem conhecida. Os pilares podem parecer densos, mas as nuvens de poeira e gás que compõem as nebulosas são na realidade muito difusas. É possível que a radiação e os ventos estelares das estrelas massivas ajudem efetivamente a criar "caroços" mais densos no interior dos pilares, os quais podem posteriormente dar origem a estrelas.

Bibliografia:

Connecting the dots: a correlation between ionising radiation and cloud mass-loss rate traced by optical integral field spectroscopy
A. F. McLeod, M. Gritschneder, J. E. Dale, A. Ginsburg, P. D. Klaassen, J. C. Mottram, T. Preibisch, S. Ramsay, M. Reiter, L. Testi
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
https://arxiv.org/abs/1608.00005




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