Plantão

Placas tectônicas podem se quebrar sem vulcanismo intenso

Placas tectônicas podem se quebrar sem vulcanismo intenso
Rompimento nas placas tectônicas na crosta terrestre nem sempre resulta em grandes erupções vulcânicas, concluem cientistas.[Imagem: Armitage et al./Nature]

Quando placas na crosta terrestre se rompem, isso nem sempre implica a ocorrência de grandes erupções vulcânicas.

Pesquisadores agora conseguiram explicar por que algumas partes do mundo experimentaram erupções de grande porte, enquanto outras não.

Movimento das placas tectônicas

A crosta terrestre é dividida em placas que estão em constante movimento - em períodos de tempo de milhões de anos. As placas ocasionalmente colidem umas com as outras ou se fundem. Também podem quebrar-se, formando novas.

Quando uma placa tectônica se quebra, uma coluna de rocha derretida pode ser ejetada do interior terrestre, causando uma forte atividade vulcânica na superfície.

Quando a crosta se abriu, promovendo a deriva continental que deu origem às atuais América do Norte e Europa, há cerca de 54 milhões de anos, o processo provocou uma atividade vulcânica intensa no espaço aberto.

Os cientistas estimavam que tal atividade ocorresse apenas nos espaços formados quando os continentes se separam, mas o novo estudo indica que houve pouca atividade vulcânica quando o atual subcontinente indiano se separou do que hoje se conhece por Seicheles, há 63 milhões de anos.

Temperatura do manto

De acordo com pesquisas anteriores, a temperatura do manto abaixo da placa seria a chave para determinar o nível de atividade vulcânica no caso de rompimento. Mas o novo estudo demonstrou que a história anterior da fenda também influencia fortemente se haverá ou não atividade vulcânica.

No caso do rompimento que separou a América do Norte da Europa, uma atividade de grande dimensão ocorreu pela extensão da fenda porque um evento geológico anterior havia deixado a placa mais fina, destaca o novo estudo.

Isso teria fornecido um ponto focal no qual o manto sob a placa se derreteu rapidamente, formando magma que foi ejetado facilmente pela placa fina até a superfície, em grandes explosões.

Em comparação, quando a Índia se separou das Seicheles, pouca atividade vulcânica se fez presente porque a região havia experimentado um forte vulcanismo em uma área próxima, seis milhões de anos antes.

Isso teria esfriado o manto e reduzido o suprimento de magma, deixando muito pouco para quando ocorreu a quebra da placa.

Profundezas dos oceanos

Os pesquisadores realizaram análises nas profundezas do Oceano Índico de modo a determinar o tipo de rochas abaixo do solo oceânico. Descobriram apenas pequenas quantidades de rochas basálticas, que indicam atividade vulcânica anterior.

O grupo também usou novos modelos computacionais, que eles mesmo desenvolveram, para simular o que teria ocorrido no solo oceânico no processo que levou à separação da Índia e das Seicheles.

"Extinção em massa, a formação de novos continentes e mudanças climáticas globais são alguns dos efeitos que podem ocorrer quando as placas se quebram e causam grandes erupções. Nosso estudo ajudará a enxergar com mais clareza os fatores por trás dos eventos que contribuíram para moldar a Terra durante milhões de anos", disse Jenny Collier, do Departamento de Ciência da Terra e Engenharia no Imperial College London, um dos autores do estudo.

Os pesquisadores pretendem explorar as profundezas do Atlântico, de modo a determinar a antiga atividade vulcânica na região que se abriu quando a África se separou da América do Sul.

Bibliografia:

The importance of rift history for volcanic margin formation (doi:),
John J. Armitage, Jenny S. Collier, Tim A. Minshull
Nature
17 June 2010
Vol.: 465, 913-917
DOI: 10.1038/nature09063




Outras notícias sobre:

    Mais Temas