Redação do Site Inovação Tecnológica - 18/02/2026

Aço inoxidável oxida?
O aço inoxidável deve seu nome à sua forte resistência à corrosão e faz muito sucesso pela sua aparência elegante e limpa. Para torná-lo ainda mais impecável, os fabricantes normalmente retificam a superfície das peças, para deixá-las mais lisas e ainda mais brilhantes.
Mas aí começam os problemas. O aço inoxidável não é de fato imune à ferrugem: Quando ele é exposto a ambientes que contêm íons cloreto, como a água do mar, o risco de corrosão aumenta. E também se sabe que o processo de acabamento - retificação, lixamento etc - reduz sua resistência à corrosão.
Este último aspecto é difícil de explicar, sobretudo com as técnicas mais modernas de fabricação, em que o material tem uma homogeneidade muito grande - Por que polir o aço inoxidável o torna mais sujeito à corrosão se, abaixo das camadas extraídas no acabamento só deveria haver mais aço inoxidável?
Siqi Wang, da Universidade Tohoku, no Japão, acaba de encontrar uma resposta detalhada a essa pergunta, desvendando o mecanismo subjacente que permanecia pouco compreendido.
A resposta parece bem óbvia, mas o que a intuição nos dizia infelizmente não era suficiente para eliminar o problema. Agora o caminho para isso está aberto.
Os pesquisadores esperam que esclarecer a causa da corrosão superficial no aço inoxidável leve a melhores métodos de retificação e tratamento das superfícies, de modo a minimizar os problemas, aumentando a durabilidade e a confiabilidade de componentes usados nas plantas químicas, máquinas industriais, indústria alimentícia e dispositivos médicos, onde o acabamento superficial é essencial.

Inclusões e riscos
Utilizando um tipo comum de aço inoxidável (Tipo 304), Wang começou pelo básico, lixando as peças, e então examinando seu comportamento quanto à corrosão em condições de água salgada.
O lixamento por si só não desencadeou a corrosão. Isso indica que arranhões superficiais por si só - como os deixados pelo processo de acabamento - são insuficientes para enfraquecer a resistência à corrosão do aço inoxidável.
Somente quando o pesquisador foi mais a fundo, examinando peças efetivamente corroídas, é que ele descobriu regiões que continham partículas de sulfeto de manganês (MnS). Bastou então refazer os testes, identificando primeiro as inclusões de MnS e depois lixando a superfície acima, para comprovar que as inclusões de MnS desempenham um papel fundamental no processo de corrosão do aço inoxidável, com os pontos de corrosão sempre aparecem associados a essas regiões.
O próximo passo foi analisar como a retificação altera tanto a camada superficial do aço quanto as inclusões de MnS. Embora a composição química da camada protetora permaneça praticamente inalterada, sua espessura fica irregular após a retificação. Em contrapartida, as inclusões de MnS sofreram danos significativos, sendo deformadas, trincadas e, em alguns casos, forçadas a penetrar mais profundamente no aço, efetivamente ampliando sua área de influência.
"Essas alterações nas inclusões de MnS causadas pela retificação foram o fator mais importante por trás da redução da resistência à corrosão pontual," destacou o professor Masashi Nishimoto. "Em última análise, mostramos que a retificação reduz a resistência não apenas por romper a camada protetora, mas principalmente por danificar as inclusões de MnS simultaneamente."