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Robô lunar soviético volta a fazer ciência depois de 43 anos

Robô lunar soviético volta a fazer ciência depois de 43 anos
O Lunokhod-1 foi o primeiro robô espacial controlado remotamente, enviado pelos soviéticos à Lua em 1970. O círculo vermelho mostra o instrumento que voltou a ser usado pelos cientistas. [Imagem: RIA Novosti]

Primeiro robô espacial

O Lunokhod-1, o primeiro robô espacial controlado remotamente, enviado pelos soviéticos à Lua em 1970, "falou" novamente - ou, pelo menos, repetiu o que recebeu.

Várias equipes de cientistas ao redor do mundo rastrearam o robô inúmeras vezes, interessados em uma carga extremamente preciosa que ele levava a bordo - um refletor de laser que é um elemento essencial para pesquisas sobre a Teoria da Relatividade de Einstein e para uma melhor compreensão da Lua.

Finalmente, em 2010, o robô lunar soviético foi encontrado.

O Lunokhod-1, pesando 756 quilogramas, viajou 10,54 quilômetros na superfície da Lua entre 17 de novembro de 1970 e 29 de setembro de 1971, enviando para a Terra cerca de 25.000 imagens, incluindo 211 panorâmicas.

Agora, cientistas franceses conseguiram usar seu "refletor de canto", um aparelho simples, que se encontra do lado de fora do Lunokhod-1 e reflete qualquer radiação eletromagnética que recebe.

Ao contrário de um espelho, contudo, o refletor devolve o raio do mesmo ponto onde ele foi recebido. O aparelho é composto por 14 refletores triangulares, medindo no total 44 centímetros de comprimento por 19 centímetros de largura.

O trabalho para fazer o robô soviético voltar à vida também parece simples: basta mirar um laser em seu refletor e monitorar quando tempo ele leva para voltar.

O problema é acertar um objeto de alguns centímetros de diâmetro localizado na Lua.

Robô lunar soviético volta a fazer ciência depois de 43 anos
O aparelho é composto por 14 refletores triangulares, medindo no total 44 centímetros de comprimento por 19 centímetros de largura. [Imagem: Jean-Marie Torre]

Ressurreição científica

Dois anos depois de saber onde estava o Lunokhod-1, Jean-Marie Torre e seus colegas do Observatório Côte d'Azur conseguiu o intento, e agora se preparam para tirar proveito científico de sua mira espacial.

Os astrofísicos procuram por desvios na teoria da relatividade geral de Einstein medindo o formato da órbita lunar com uma precisão muito grande.

Isto vem sendo feito medindo o tempo que leva para que a luz de um laser disparado da superfície da Terra reflita-se em quatro refletores ópticos deixados na Lua pelos astronautas da missão Apollo.

Mas há duas vantagens enormes em contar com o refletor do robô espacial soviético.

São necessários três refletores para determinar a orientação da Lua. Um quarto acrescenta informações sobre a distorção imposta pelas marés, e um quinto - o refletor do robô Lunokhod-1 - vai dar informações precisas sobre o ponto no espaço equivalente ao centro da Lua.

O ponto central da Lua é de suma importância para mapear sua órbita com precisão suficiente para testar a teoria da relatividade.

A segunda vantagem é que o Lunokhod-1 está em uma posição invejável, bem na borda visível da Lua.

Apesar de a Lua estar sempre com a mesma face virada para a Terra, esse lado visível oscila ligeiramente. Os parâmetros desse balanço dependem, entre outros, da distribuição e da estrutura das rochas no interior do nosso satélite.

Como o Lunokhod-1 está mais perto da borda do disco visível da Lua do que os outros refletores, ele se torna o instrumento ideal para estudar esse fenômeno.

Dados das medições a laser indicam que a Lua se afasta da Terra cerca de 38 milímetros por ano, mas não há uma teoria definitiva para explicar a razão desse afastamento - uma das hipóteses mais aceitas propõe que a massa da Lua diminui em virtude de ela perder atmosfera, o que diminui a força de atração da Terra.

Talvez o recém-ressuscitado Lunokhod-1 possa trazer alguma informação nova.





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