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O Stradivarius é um mito - tentativa 1114

O Stradivarius é um mito - tentativa 1114
Os solistas usaram óculos especiais para não conseguir identificar que violino estavam usando em cada avaliação. [Imagem: Stefan Avalos/Divulgação]

Guerra dos violinos

A superioridade inquestionável dos violinos produzidos pelos velhos mestres italianos dos séculos 17 e 18 - Stradivarius e Guarnieri, por exemplo - foi novamente posta em dúvida.

De acordo com Claudia Fritz e seus colegas da Universidade de Paris 06, a superioridade dos famosos violinos é um mito.

"Grandes esforços têm sido feitos para explicar por que instrumentos feitos por Stradivarius e outros mestres italianos antigos soam melhor que os violinos modernos de alta qualidade, mas sem oferecer evidência científica de que este é mesmo o caso," diz a equipe em seu artigo, que conta também com a participação de pesquisadores dos Estados Unidos.

O verniz, a madeira e outras propriedades dos violinos antigos já foram estudados com grande atenção.

A equipe lembra que, em um experimento realizado em 2010, no qual 21 violinistas profissionais compararam três violinos novos, dois Stradivarius e um Guarnieri - sem saber qual era qual - um dos Stradivarius ficou em último lugar, e o violino mais apreciado foi um novo.

Esse trabalho de 2010 foi criticado pelo pouco tempo de contato dos violinistas com os instrumentos, pelo pequeno número de instrumentos envolvidos e pelo local, um quarto de hotel, tido como inadequado.

Em 2011, outra equipe afirmou ter fabricado um clone de um Stradivarius.

No mesmo ano, outro grupo foi além, e usou fungos na madeira para fabricar o que eles afirmam ser uma cópia melhor que um Stradivarius.

Stradivarius à prova

O novo trabalho usou doze violinos - seis modernos e seis de velhos mestres, incluindo cinco Stradivarius - que foram testados por dez solistas, em sessões de 75 minutos, sem que os músicos soubessem qual instrumento estavam tocando.

As sessões foram realizadas num estúdio de ensaios e numa sala de concertos, e os pesquisadores pediram aos solistas para selecionar, dos 12 violinos, os que aceitariam como substitutos de seus instrumentos pessoais.

No fim, dos dez solistas, seis escolheram violinos novos e quatro, Stradivarius. Um mesmo violino novo foi escolhido quatro vezes, e um mesmo Stradivarius, três vezes. Além disso, os solistas não foram capazes de distinguir os Stradivarius dos violinos novos com grau de acerto maior que o esperado pelo acaso.

O estudo conclui que o mito da superioridade inquestionável dos violinos dos velhos mestres italianos "ainda requer forte apoio empírico" para se sustentar. Os autores afirmam também que "a busca pelo segredo de Stardivarius" revelou-se "um campo de pesquisa permanentemente estéril".

Contestação

O professor Joseph Nagyvary, da Universidade do Texas, prefere continuar com o mito, e afirma que o novo estudo não pode ser considerado conclusivo porque pode ter usado violinos antigos mal conservados.

"A fraqueza grave deste trabalho reside nos velhos violinos não serem identificados", diz ele. "Os especialistas, inclusive eu, sabem muito bem que os cerca de 600 violinos Stradivarius existentes variam muito na sua qualidade de som, devido à sua história de uso e preservação," disse Nagyvary.

"Meu palpite é que entre os seis violinos antigos havia apenas um Stradivarius decente," complementa ele.

Em resumo, entre estudos, palpites e mitos, o mais provável é que o mundo prefira o mito, que é poético, romântico e capta um sentido da realidade que não pode ser desfeito por demonstrações experimentais.

Bibliografia:

Soloist evaluations of six Old Italian and six new violins
Claudia Fritz, Joseph Curtin, Jacques Poitevineau, Hugues Borsarello, Indiana Wollman, Fan-Chia Tao, Thierry Ghasarossian
Proceedings of the National Academy of Sciences
Vol.: Published online before print
DOI: 10.1073/pnas.1323367111




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