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Telescópio identifica estrelas do outro lado da Via Láctea

Telescópio identifica estrelas do outro lado da Via Láctea
À esquerda, a visão da Nebulosa Trífida no infravermelho e, à direita, no visível. [Imagem: ESO/VVV consortium/D. Minniti]

Visão de infravermelho

Ao observar no infravermelho, os astrônomos conseguem ver além das regiões centrais da Via Láctea nos circunda por todos os lados, o que obscurece qualquer coisa mais distante não apenas por causa das estrelas, planetas e luas, mas principalmente por causa da poeira cósmica, a mesma que ludibriou os cientistas do projeto BICEP2.

O infravermelho não dá muita bola para a poeira, permitindo descobrir muitos objetos do outro lado da Via Láctea ou além dela, invisíveis a outros comprimentos de onda.

É isto o que está registrado nesta nova imagem obtida com o telescópio de rastreio do ESO, o VISTA, que revela a famosa Nebulosa Trífida de maneira diferente e fantasmagórica.

Em um dos rastreios do VISTA - varreduras automáticas, em que o telescópio observa várias partes do céu automaticamente e por várias vezes, procurando objetos que variam de brilho ao longo do tempo -, os astrônomos descobriram duas estrelas variáveis Cefeidas, consideradas verdadeiros faróis cósmicos, e por isso essenciais para as medições de distâncias no Universo.

Estas são as primeiras estrelas deste tipo a serem descobertas no plano central da Via Láctea, para além do bojo central.

A nebulosa - também conhecida como região de formação estelar Messier 20 - recebeu o nome de Trífida devido às linhas escuras fantasmagóricas que a dividem em três partes, quando observada através de um telescópio óptico.

Hidrogênio cor-de-rosa

Nas imagens mais familiares da Trífida, no visível, a nebulosa brilha intensamente tanto na emissão cor-de-rosa do hidrogênio ionizado como no nevoeiro azulado da radiação dispersa por estrelas quentes jovens. São também proeminentes enormes nuvens de poeira que absorvem a radiação.

No entanto, a imagem infravermelha do VISTA é muito diferente. A nebulosa apareceu apenas como uma sombra da sua imagem habitual no visível. As nuvens de poeira encontram-se muito menos proeminentes e o brilho intenso das nuvens de hidrogênio, assim como a estrutura em três partes, são praticamente invisíveis.

Ante esse desvanecer da nebulosa, surge um panorama completamente diferente. As nuvens espessas de poeira no disco da nossa galáxia, que absorvem a radiação visível, deixam passar a maior parte da radiação infravermelha que é observada pelo VISTA.

Em vez de termos uma visão bloqueada pela poeira, o telescópio consegue observar muito além da Trífida e detectar objetos no outro lado da Galáxia, que nunca foram observados antes.

Estrelas variáveis

Aparentemente próximo da Trífida no céu, mas na realidade sete vezes mais distante, surgiram as duas novas estrelas variáveis - a Nebulosa Trífida está a cerca de 5.200 anos-luz de distância da Terra, o centro da Via Láctea está a cerca de 27.000 anos-luz de distância, praticamente na mesma direção, e as Cefeidas recém-descobertas encontram-se a uma distância de cerca de 37.000 anos-luz.

As variáveis Cefeidas são estrelas brilhantes, mas instáveis, aumentando lentamente de brilho e depois desvanecendo - estas duas aumentam de brilho e diminuem num período de tempo de onze dias.

Bibliografia:

Discovery of a Pair of Classical Cepheids in an Invisible Cluster Beyond the Galactic Bulge
I. Dékány, D. Minniti, G. Hajdu, J. Alonso-García, M. Hempel, T. Palma, M. Catelan, W. Gieren, D. Majaess
Astrophysical Journal Letters
Vol.: 799 L11
DOI: 10.1088/2041-8205/799/1/L11




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