Com informações da Physics World - 28/01/2026

Tensão de Hubble é real
Usando um método independente, diferente dos que vêm sendo usados nas medições feitas até agora, uma equipe internacional de astrônomos não apenas confirmou a chamada "tensão de Hubble", como também forneceu evidências consistentes de que as diferenças encontradas na velocidade de expansão do Universo devem-se a questões fundamentais da física que ainda não desvendamos, e não meramente a erros de medição.
Desde os anos 1920, com os trabalhos pioneiros de Edwin Hubble e Georges Lemaitre, sabe-se que o Universo está em expansão desde o Big Bang, há quase 14 bilhões de anos. Ao medir o desvio para o vermelho de várias galáxias, eles descobriram que as galáxias mais distantes da Terra se afastam mais rapidamente do que as galáxias mais próximas. A relação entre essa velocidade e a distância das galáxias hoje é conhecida como constante de Hubble, ou H0.
Os astrônomos desenvolveram diversas técnicas para medir H0. O problema é que diferentes técnicas fornecem valores diferentes. Hoje essas diferenças se polarizaram, diferindo conforme medimos o efeito nas porções mais antigas do Universo, mais próximas do Big Bang, ou no Universo mais recente e mais velho. É essa discrepância que é conhecida como tensão de Hubble.
De acordo com medições da radiação cósmica de fundo (CMB), a radiação remanescente do Big Bang, feitas pelo telescópio espacial Planck, o valor de H0 é de cerca de 67 quilômetros por segundo por megaparsec (km/s/Mpc), onde um Mpc equivale a 3,3 milhões de anos-luz. Por outro lado, medições que envolvem observações de supernovas do tipo Ia resultam em um valor de cerca de 73 km/s/Mpc.

Lente gravitacional
Agora, uma colaboração internacional chamada TDCOSMO mediu H0 usando uma técnica chamada cosmografia de atraso temporal. É um método que se baseia no fato de que galáxias massivas podem funcionar como lentes, desviando a luz de objetos mais distantes, que estão atrás delas do nosso ponto de vista. Dá para identificar esse fenômeno cósmico porque, da nossa perspectiva, esses objetos parecem distorcidos.
"Isso se chama lente gravitacional e, se as circunstâncias forem favoráveis, veremos múltiplas imagens distorcidas, cada uma percorrendo um caminho ligeiramente diferente até chegar à Terra, levando tempos diferentes," explicou Kenneth Wong, da Universidade de Tóquio.
Ao procurar por mudanças nessas imagens que sejam idênticas, mas ligeiramente dessincronizadas, os astrônomos podem medir as diferenças de tempo necessárias para a luz dos objetos chegar à Terra. Em seguida, combinando esses dados com estimativas da distribuição da massa da lente galáctica que causa a distorção, eles calcularam um valor independente para H0.

Uma tensão real, não um problema de medição
A equipe mediu a luz de oito quasares fortemente distorcidos usando vários telescópios, incluindo o Telescópio Espacial James Webb (JWST), Keck e o VLT. Eles também utilizaram observações da amostra SLACS (Sloan Lens ACS) e da amostra SL2S (Legacy Survey).
O valor resultante de H0 é de aproximadamente 71,6 km/s/Mpc, que é mais consistente com as observações do Universo atual do que com as do Universo primordial (como as do Planck).
Essa discrepância corrobora a ideia de que a tensão de Hubble surge da física real, e não apenas de algum erro desconhecido nos diversos métodos de medição. "Nossa medição é completamente independente dos outros métodos, tanto do Universo primordial quanto do Universo tardio, então, se houver alguma incerteza sistemática nesses métodos, não devemos ser afetados por ela," disse Wong.