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Sinais de rádio do espaço: Seis teorias tentam explicá-las
O radiotelescópio Chime irá fazer um mapa completo do céu (hemisfério Norte) na frequência de rádio.[Imagem: Andre Renard/Dunlap Institute/CHIME]

Rajadas rápidas de rádio

Radiotelescópios têm captado as chamadas RRRs - "rajadas rápidas de rádio" (ou FRB: fast radio bursts) - desde 2001.

São "brilhos" muito fortes na frequência de rádio, que duram apenas alguns milissegundos, e então desaparecem tão misteriosamente quanto surgiram. A maioria das RRRs foi detectada em frequências próximas a 1.400 MHz.

Pelo menos 60 delas foram detectadas até hoje, mas ninguém tem realmente ideia do que são ou mesmo exatamente de onde vêm - as fontes são erráticas e não parecem seguir nenhum padrão.

Na semana passada, uma equipe do radiotelescópio Chime, no Canadá, anunciou a segunda descoberta de uma dessas RRRs que se repetem, o que trouxe o assunto de volta à grande imprensa.

O observatório Chime (Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment) é formado por quatro antenas semicilíndricas de 100 metros de comprimento. Ele entrou em operação no ano passado e, embora ainda não tenha atingido toda a sua capacidade, já detectou 13 pulsos de rádio misteriosos, incluindo a repetição recém-divulgada.

Com toda a comunidade astronômica trabalhando no assunto, é normal que surjam várias teorias para tentar explicar as rajadas rápidas de rádio. Aqui vão as mais discutidas.

Estrelas de nêutrons em rápida rotação

Quando as estrelas explodem e morrem, elas podem acabar como estrelas de nêutrons que giram rapidamente. Os astrônomos acreditam que estrelas desse tipo localizadas em uma região com um campo magnético muito forte podem produzir sinais estranhos.

"Algo como uma estrela de nêutrons se encaixa muito bem. Mas exatamente que física está ocorrendo para produzir essa explosão muito energética de ondas de rádio ainda não sabemos," disse Ingrid Stairs, astrofísica da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, em entrevista à rede britânica BBC.

Sinais de rádio do espaço: Seis teorias tentam explicá-las
Uma das teorias propõe que as rajadas rápidas de rádio sejam propulsão de naves alienígenas. [Imagem: M. Weiss/CfA]

Fusão de duas estrelas

Duas estrelas de nêutrons colidindo uma com a outra é outra possibilidade aventada pelos astrofísicos.

O problema é que duas estrelas não se fundem duas vezes - elas são destruídas na fusão -, o que deixa de fora os eventos que se repetem, como o agora detectado pelo radiotelescópio Chime.

Blitzar

Um blitzar é um corpo celeste hipotético, idealizado justamente para tentar explicar as FRBs. Seria uma estrela de nêutrons em rápida rotação que colapsa sob seu próprio peso e forma um buraco negro.

Como no caso da fusão de duas dessas estrelas, esta hipótese também não explica os eventos repetitivos.

Buraco negro

Buracos negros têm grande apelo entre os cientistas e o público em geral, infelizmente mais pela aura de mistério que carregam do que por dados bem fundamentados - ninguém até hoje obteve qualquer indício direto da existência de um deles.

Como a física que conhecemos efetivamente colapsa no interior desses corpos hipotéticos, é possível atribuir-lhes uma série quase inumerável de "eventos possíveis" - as rajadas rápidas de rádio estão entre elas, envolvendo principalmente os chamados núcleos galácticos ativos.

Sinais de rádio do espaço: Seis teorias tentam explicá-las
O radiotelescópio BINGO, que será montado na cavidade abandonada de uma mina de ouro, também terá como objetivo estudar as RRRs. [Imagem: fing.edu.uy]

Escapamento de naves espaciais

Abraham Loeb (Centro Harvard-Smithsoniano para Astrofísica) e Manasvi Lingam (Universidade de Harvard) não gostaram de nenhuma explicação aventada até agora envolvendo causas naturais.

Para eles, essas rajadas rápidas de rádio poderiam ser emitidas por geradores para alimentar velas solares, basicamente do mesmo tipo daquelas propostas para a primeira missão interestelar dos terráqueos.

Alienígenas

Como os terráqueos comunicam-se fundamentalmente - em termos tecnológicos - por ondas de rádio, é natural teorizar que outras civilizações pelos cosmos façam o mesmo. Esse tem sido o elemento motivador do programa SETI - busca por inteligência extraterrestre - há décadas.

Essa hipótese ganharia peso se houvesse mais FRBs repetitivas, uma vez que uma civilização dificilmente faria uma transmissão única, ou se alguém conseguisse interpretar qualquer mensagem contida nessas curtas "transmissões".

Para saber mais sobre as discussões envolvendo esta hipótese, leia a matéria Seis questões sobre os ETs e os sinais de rádio detectados.

Bibliografia:

Observations of fast radio bursts at frequencies down to 400 megahertz
CHIME/FRB Collaboration
Nature
DOI: 10.1038/s41586-018-0867-7

The source of a second repeating fast radio burst
CHIME/FRB Collaboration
Nature
DOI: 10.1038/s41586-018-0864-x




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