Redação do Site Inovação Tecnológica - 29/07/2026

Acelerações e desacelerações do Universo
As dúvidas sobre a aceleração da expansão do Universo surgiram aos poucos, disfarçadas sob o nome de tensão de Hubble, mas os indícios se avolumaram e a coisa se transformou em uma crise da cosmologia.
Os periódicos científicos agora estão repletos de artigos a favor e contra a hipótese convencional, que envolve uma força hipotética que se convencionou chamar de energia escura. Um indício particularmente forte, mostrando que os dados observacionais não confirmam a aceleração da expansão do Universo, foi publicado em 2025 por uma equipe coreana. Diversas equipes propuseram correções àquele artigo, de modo a trazer as coisas de volta à ortodoxia, mas, tão logo um artigo surge, outro critica a correção, e o assunto continua controverso.
Agora, uma equipe da Índia e do Reino Unido acaba de publicar um novo estudo que se destaca dos demais por sua abrangência, e a conclusão mostra que as dúvidas sobre a aceleração da expansão do Universo e a existência da energia escura são muito mais fortes do que a equipe coreana havia indicado - e que nenhuma das correções propostas até agora consegue anular.
Marcadores cosmológicos de distância
Animesh Sah e seus colegas reanalisaram um dos conjuntos de dados observacionais mais importantes da cosmologia: A compilação Pantheon+, um dos catálogos mais abrangentes, com mais de 1.700 supernovas do tipo Ia. Por mais de 25 anos, os astrônomos têm usado observações dessas supernovas para medir a expansão do Universo - foi a análise dessas observações que levou à agora questionada "descoberta" de que a expansão cósmica estaria se acelerando, o que rendeu o Prêmio Nobel de Física de 2011.
Além de reanalisar as supernovas do conjunto de dados Pantheon+, a equipe incorporou correções propostas por outras equipes, passando a levar em consideração a idade das estrelas que eventualmente produzem essas explosões de supernova. Eles também verificaram se a aceleração inferida da taxa de expansão é de fato a mesma em todas as direções, como é assumido no modelo cosmológico padrão, conhecido como Lambda-CDM (Λ-CDM).
Após aplicar as correções, os pesquisadores constataram que os dados não corroboram mais a imagem de um Universo em aceleração uniforme. Mais do que isso, a análise indica que a expansão cósmica está, no geral, desacelerando, e não se acelerando.

Universo está desacelerando?
A nova interpretação dos dados cosmológicos surgiu ao se considerar se a aceleração inferida pode, na verdade, ser anisotrópica, ou seja, apresentar propriedades diferentes quando medida em direções diferentes e, portanto, desviar-se do modelo cosmológico padrão.
Se isso fosse verdade, argumentam os pesquisadores, a energia escura não poderia ser responsável pela aceleração, pois o efeito do vácuo quântico não pode ser anisotrópico.
"Descobrimos que a aceleração inferida é direcionada principalmente na direção do nosso movimento local, conforme indicado pelo ponto quente na radiação cósmica de fundo em micro-ondas, e diminui com a distância," disse Subir Sarkar, membro da equipe. "Isso não é afetado pela correção do brilho da supernova - portanto, rejeita a energia escura independentemente de a correção ser aplicada ou não. A correção transforma o componente isotrópico em uma desaceleração - o que, novamente, descarta a energia escura."
Com os melhores argumentos apresentados até agora levados em consideração, o que resta é esperar por novos dados. O Observatório Vera C. Rubin, que abriga a câmera digital mais potente do mundo, começou suas operações científicas este ano, e a expectativa é que ele colete dados de muitos milhares de supernovas, o que deverá aumentar a significância dos cálculos ou, no mínimo, enriquecer o debate.