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Voyager 2 sai do Sistema Solar rumo ao espaço interestelar

Voyager 2 sai do Sistema Solar rumo ao espaço interestelar
Esta ilustração mostra a posição das sondas Voyager 1 e Voyager 2 fora da heliosfera, uma bolha protetora criada pelo Sol que se estende bem além da órbita de Plutão.[Imagem: NASA/JPL-Caltech]

Voyager 2 rumo ao espaço interestelar

Pela segunda vez na história, um objeto feito pelo homem alcançou o espaço interestelar, saindo do Sistema Solar, a região de influência direta da nossa estrela, o Sol.

Segundo a NASA, a sonda Voyager 2 saiu da heliosfera, a "bolha protetora" de partículas e campos magnéticos criados pelo Sol.

O "segundo a NASA" é importante porque há uma verdadeira batalha entre os cientistas sobre o que significa "sair do Sistema Solar" - as discussões foram épicas por ocasião da saída da Voyager 1 do Sistema Solar em 2012.

Comparando dados de diferentes instrumentos a bordo da Voyager 2, os cientistas da missão determinaram que a sonda atravessou a borda externa da heliosfera no último dia 5 de novembro.

Essa fronteira, conhecida como heliopausa, é onde o vento solar, tênue e quente encontra o meio interestelar, mais denso e frio.

A Voyager 1 parece ter cruzado esse limite em 2012, mas a Voyager 2 carrega um instrumento que fornecerá as primeiras observações sobre a natureza desse portal no espaço interestelar. O Plasma Science Experiment (PLS) também foi lançado a bordo da Voyager 1, mas parou de funcionar em 1980, muito antes de a sonda se aproximar da heliopausa. O PLS da Voyager 2 continua funcionando.

Voyager 2 sai do Sistema Solar rumo ao espaço interestelar
No final de 2018, o instrumento medidor de raios cósmicos da Voyager 2 indicou uma queda acentuada na taxa de partículas heliosféricas que atingiram o detector de radiação do instrumento, e aumentos significativos na taxa de raios cósmicos. [Imagem: NASA/JPL-Caltech/GSFC]

Vento solar e radiação cósmica

Segundo o instrumento PLS, até recentemente o espaço ao redor da Voyager 2 era preenchido predominantemente com plasma fluindo do Sol. Este fluxo, chamado de vento solar, cria uma bolha - a heliosfera - que envolve os planetas no nosso Sistema Solar.

O PLS usa a corrente elétrica do plasma para detectar a velocidade, densidade, temperatura, pressão e fluxo do vento solar. Os dados revelaram um declínio acentuado na velocidade das partículas do vento solar em 5 de novembro. Desde aquela data, o instrumento não observou nenhum fluxo de vento solar no ambiente em torno da Voyager 2, o que deixou os cientistas da missão confiantes de que a sonda deixou a heliosfera.

A Voyager 2 está agora a pouco mais de 18 bilhões de quilômetros da Terra. Os operadores da missão ainda podem se comunicar com ela, mas as informações, mesmo movendo-se à velocidade da luz, levam cerca de 16,5 horas para viajar da sonda até a Terra - em comparação, a luz emitida pelo Sol leva cerca de oito minutos para chegar à Terra.





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