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Parceria entre universidade e indústria produz ganhos para todos

Dois mundos

De um lado uma indústria ávida por solucionar problemas internos com inovação e aumentar a produtividade. Do outro, pesquisadores com conhecimento científico e capacidade técnica.

Assim, qualquer esforço para reunir indústria e centros de pesquisa em parcerias duradouras pode resultar em ganhos para ambas as partes.

"Ao reunir indústria e centro de pesquisa, todos saem ganhando. A indústria entra com a parte monetária e nós [universidade] com os recursos humanos. Antigamente, achava-se que quem trabalhasse com a indústria estava vendendo a universidade. Porém, provamos o contrário. Desde o começo, mostramos que para que houvesse o desenvolvimento do país e da universidade era preciso que a indústria utilizasse o conhecimento acadêmico," afirmou o professor Elson Longo, do Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF).

Para ficar em apenas um exemplo dos benefícios financeiros e tecnológicos dessa cooperação, a longa parceria entre o CDMF e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) gera recursos financeiros para o centro de pesquisa de R$ 100 milhões por ano. Desde 1995, quando começou a parceria, foram 32 patentes depositadas e 132 artigos científicos publicados.

Os ganhos para a indústria também são enormes. Os centros de pesquisa têm capacidade de analisar e resolver problemas que baixam a produtividade, desenvolvendo soluções inovadoras a partir de pesquisa e conhecimento científico.

"Brinco que fazemos o papel de bombeiros ao extinguir alguns problemas das indústrias. Observo, no entanto, que muitas vezes, a indústria não sabe onde estão os laboratórios nas universidades que podem contribuir para o desenvolvimento de pesquisas. Precisamos quebrar essa barreira entre esses dois mundos," disse Ernesto Chaves Pereira, também do CDMF.

Os dois pesquisadores falaram sobre a parceria universidade-indústria em uma palestra durante a EXPOMAFE - Feira Internacional de Máquinas-Ferramenta e Automação Industrial, realizada em São Paulo na semana passada.

De soluções simples a soluções mundiais

Muitas vezes, o trabalho dos pesquisadores está em desenvolver soluções simples tiradas de uma boa dose de observação.

Ernesto conta que, em uma ocasião, uma multinacional buscou o CDMF para solucionar um problema de retrabalho por corrosão de peças: "Era um galpão enorme de peças armazenadas e a empresa tinha um prejuízo imenso. A solução que demos? Feche a porta e proteja as peças da sujeira. Com isso, a empresa deixou de gastar muito dinheiro."

Já a parceria com empresas como Dow Química, Petrobras e White Martins levou ao desenvolvimento de novos materiais. Para a White Martins, por exemplo, a equipe de pesquisadores desenvolveu um material refratário que gerou um ganho econômico de R$ 32 milhões para a empresa em cinco anos e passou a ser usado por várias indústrias no mundo.

"A indústria de vidro sabia que poderia triplicar a produção se usasse uma atmosfera de oxigênio. Fizemos isso, desenvolvemos um novo refratário e a indústria em todo o mundo utiliza os refratários desenvolvidos no nosso laboratório", disse o professor Elson.

As parcerias também são firmadas com pequenas empresas ou polos manufatureiros. É o caso das empresas de cerâmica dos polos de Pedreira e Porto Ferreira, do interior do Estado de São Paulo. "Melhoramos o produto em resistência mecânica. Com isso adquirimos um conceito mais elevado de cerâmica para o polo", exemplificou o professor Elson.





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