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Richard Stallman no Brasil: Liberdade no mundo digital

Richard Stallman no Brasil: Liberdade no mundo digital
[Imagem: Victor Powell/Wikimedia]

Software Livre

Richard Stallman, o criador e maior divulgador do Movimento Software Livre, estará no Brasil na próxima semana. Ele fará uma conferência em defesa do compartilhamento de dados e informações e da privacidade dos usuários na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em Belo Horizonte, no próximo dia 29.

A conferência Uma sociedade digital livre: o que torna a inclusão digital boa ou ruim?, integra a programação dos 90 anos da UFMG.

Richard Matthew Stallman tem viajado pelo mundo em defesa da cultura do compartilhamento e denunciando a censura e o ataque à privacidade dos usuários.

"Stallman costuma dizer que o celular é 'o sonho de Stalin', por causa dos softwares proprietários, que capturam dados pessoais", lembra o professor Loïc Cerf, anfitrião de Stallman na UFMG. "O Software Livre é um projeto político, social e ético, base da esperança e da luta de Stallman por uma sociedade em que o cidadão tenha controle sobre sua vida."

Quatro liberdades

Em 1984, Stallman iniciou o desenvolvimento de GNU, sistema operacional livre que mais tarde resultaria no Linux e em suas inúmeras derivações - inclusive o Android, que roda na maioria dos celulares.

O software livre é definido por quatro liberdades essenciais:

  1. os usuários podem rodar um programa do jeito que quiserem, para qualquer finalidade;
  2. podem estudar como o programa funciona e adaptá-lo a suas necessidades;
  3. podem redistribuir cópias para ajudar outras pessoas;
  4. e podem aperfeiçoar o programa e tornar pública essa melhoria.

O acesso ao código-fonte é, naturalmente, precondição para a segunda e a quarta liberdades.

"Richard é a pessoa mais íntegra com quem já tive o prazer de conviver. Seu trabalho é para que todos nós possamos usar computadores sem sofrer controle alheio," afirma Alexandre Oliva, cofundador da seção latino-americana da Fundação para o Software Livre, acrescentando que nunca foi tão fácil ter acesso e usar software livre, mas nunca foi tão difícil alcançar a plena liberdade: "Empresas liberam componentes pouco relevantes para suas estratégias de mercado, mas mantêm secretos outros que servem a objetivos menos confessáveis.".

Para quem não puder acompanhar a conferência de Richard Stallman na UFMG, veja abaixo a entrevista que ele concedeu ao pesquisador da UFMG.

Que leis ou ações podem criar condições para uma inclusão digital positiva?

Stallman - Precisamos de leis que impeçam sistemas digitais de capturar e transmitir dados pessoais não cruciais para determinadas finalidades. Os Estados devem distribuir, usar e desenvolver apenas software livre e estabelecer sistemas de pagamentos digitais anônimos para quem paga, mas que identifiquem quem recebe, para evitar evasão fiscal. O monitoramento indiscriminado de pessoas e carros nas ruas deveria ser proibido.

Como os avanços tecnológicos ameaçam a democracia?

Stallman - A principal ameaça à democracia é a vigilância em massa. Se o Estado quase sempre sabe quem vai aonde e quem fala com quem, pode pegar e prender heróis como Edward Snowden, pessoas de quem a democracia depende. Backdoors [mecanismos ocultos que permitem acesso remoto] e as sabotagens que elas possibilitam são também perigosas.

Quais foram a vitória e a derrota mais importantes no Movimento Software Livre nos últimos anos?

Stallman - O maior avanço recente é que já é possível comprar um computador com um sistema operacional 100% livre e um software de inicialização livre, pré-instalado. Você não precisa ser um gênio para rodar um software livre, e agora não precisa mais da ajuda de um gênio para instalá-lo. Os maiores retrocessos foram a ascensão da computação móvel, de desserviços bisbilhoteiros e da internet das coisas que espionam.

Como universidades e pesquisadores podem contribuir com o Movimento Software Livre?

Stallman - Universidades e escolas de todos os níveis deveriam ensinar e oferecer apenas software livre aos estudantes. Softwares proprietários deveriam ser autorizados nos campi apenas para engenharia reversa.

Como a adoção massiva da internet ajuda ou dificulta o movimento?

Stallman - Infelizmente, para a maioria das pessoas, "usar a internet" significa usar serviços injustos (eu chamo de desserviços) cujo propósito é capturar dados pessoais. Desserviços como Facebook, Google Maps, Google Drive, iTunes, Spotify e Netflix cometem múltiplas injustiças. Sistemas de pagamento, com exceção do dinheiro vivo, rastreiam as pessoas - nem o Bitcoin é anônimo. Dispositivos móveis não permitem substituição de software proprietário por software livre. Quase todos os aplicativos tampouco são livres - eles podem ser gratuitos, mas não são livres. Telefones celulares rastreiam as pessoas o tempo todo e podem ser convertidos remotamente em dispositivos de escuta. Por isso, me recuso a carregar um telefone celular.





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