Eletrônica

Criado material para semicondutores magnetrônicos

Um equipamento eletrônico, como um microprocessador, por exemplo, tem esse nome porque se baseia no elétron. Mais precisamente, na carga do elétron. Essa carga pode ser positiva ou negativa. Ou, o que dá no mesmo, zero ou um. O elétron e sua carga são a base de tudo o que conhecemos como eletrônica digital. Mas o elétron possui também uma rotação, um giro ("spin" em inglês). Caso se possa utilizar essa rotação, ao invés de guardar uma informação binária, cada elétron poderia guardar uma infinidade de informações, conforme for a posição em que ele estiver nesse seu giro. Esse tem sido um sonho dos cientistas, que possibilitaria a construção de computadores infinitamente mais rápidos e poderosos. Ao invés de se processar um bit por vez, milhões deles poderiam ser processados ao mesmo tempo. Além da característica mais interessante de um semicondutor magnetrônico ("spintronic"), que é o fato de que ele não perderia os dados na ausência de energia.

Mas o sonho está mais próximo da realidade. Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Buffalo (Estados Unidos) afirma ter criado materiais semicondutores que possuem as características necessárias para o desenvolvimento de semicondutores "spin". O estudo, que será publicado no próximo dia 27 no jornal Applied Physics Letters, demonstra que o desenvolvimento de um protótipo magnético semicondutor não está muito distante. O chefe da equipe, Dr. Hong Luo, vai mais longe e afirma que "após anos de esforços para construir materiais que pudessem permitir a criação de dispositivos "magnetrônicos" , agora nós os temos em mãos".

O material é uma liga de gálio, antimônio e manganês, formado por camadas de apenas alguns átomos de espessura. Algumas camadas são puras, outras contém misturas "controladas" de dois dos elementos. A liga é fabricada em um ambiente de ultra alto vácuo, que cria combinações de átomos que não existem na natureza. O material agora desenvolvido é uma modificação de um semicondutor já bastante estudado, significando que poderá ser fácil sua integração com sistemas eletrônicos existentes.

O material foi o primeiro a demonstrar um fenômeno chamado histerese, em temperatura ambiente. Segundo os pesquisadores, esse é um sinal inequívoco do ferromagnetismo, pré-requisito para a construção de dispositivos magnetrônicos, através do qual o efeito magnético perdura mesmo após desligado o campo que o gerou.





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