Nanotecnologia

Nanotecnologia permite rastrear células doentes

Nanotecnologia permite rastrear células doentes

O trabalho do engenheiro-biomédico Warren Chan, da Universidade de Toronto, Canadá, consiste em descobrir a melhor forma de observar como um vírus contamina uma célula. A tarefa é similar à que é feita por biólogos que observam baleias: eles prendem um pequeno transmissor na baleia e passam a seguí-la.

Mas o problema é muito mais complexo quando se trata de vírus: não há transmissores tão pequenos. A solução encontrada foi pintar os vírus com uma tinta orgânica. Mas sempre que o Dr. Chan conseguia colocar os marcadores sobre a superfície do vírus, ele perdia o sinal em apenas cinco segundos.

A dificuldade o levou a pesquisar os pontos quânticos, partículas nanoscópicas de semicondutores, como uma alternativa aos corantes. "Pontos quânticos foram inicialmente criados para uso em circuitos eletrônicos," afirma ele. "Mas o que nós vimos na literatura é que essas maravilhosas estruturas nunca haviam sido aplicadas à biologia."

Quando colocados sob uma fonte de luz, os pontos quânticos brilham como sinais de neon. Mas o melhor é que o seu brilho dura até 48 horas depois que foi aplicada a luz. Isto é tempo mais do que suficiente para acompanhar um vírus ao longo de um processo biológico.

A cor emitida pelos pontos quânticos pode ser alterada controlando-se o seu tamanho. Pontos pequenos emitem luz azul, verde ou amarela e pontos maiores brilham nas cores laranja, vermelha ou cinza. "Nós podemos adaptar as propriedades do material para qualquer aplicação que precisarmos," explica Chang.

O cientista está agora pesquisando se essas estruturas nanoscópicas podem ser utilizadas para "iluminar" doenças em animais, com futuras implicações para os seres humanos. "Conectando um ponto quântico a uma molécula que se liga a um tipo específico de câncer, por exemplo, com o tempo os pontos irão se acumular no tumor. Quando se acumularem, você poderá ver o animal brilhar naquela região particular."

Mas há limitações na tecnologia. Por exemplo, a luz não penetra profundamente no organismo, o que tornaria o método viável apenas para doenças de pele ou muito superficiais. Os pontos quânticos também têm uma natureza "oleosa", o que dificulta sua interação com os organismos vivos. Esses são alguns dos desafios que o cientista terá de vencer antes de tornar a nova tecnologia útil na prática.

O Dr. Chan espera que seu objetivo atual - desenvolver pontos quânticos que possam atingir um local doente e iluminá-lo - poderá um dia levar a um sistema integrado que poderá também utilizar os pontos quânticos para levar drogas para o local da doença. Além do câncer, ele também está pesquisando se o seu material poderá ser utilizado para detectar doenças como a malária e a AIDS. Ele estima que os pontos quânticos poderão iluminar doenças humanas dentro de cinco a dez anos.





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