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Arrokoth reforça teoria alternativa sobre formação dos planetas

Com informações da BBC e AAAS - 14/02/2020

Arrokoth reforça teoria alternativa sobre formação dos planetas
O material que forma Arrokoth parece ter-se depositado suavemente para formar o planetesimal.
[Imagem: NASA/JHUAPL/SWRI/Roman Tkachenko]

Como os planetas se formam

Cientistas dizem ter "definitivamente" derrubado a teoria predominante sobre como os planetas do Sistema Solar se formaram.

A hipótese, a mais aceita pela comunidade científica até agora, previa que uma colisão violenta de matéria formaria aglomerados cada vez maiores, até que finalmente atingissem a dimensão planetária.

Porém, novos resultados apontam que esse processo pode ter sido menos intenso, com a matéria se aglomerando suavemente.

"Havia uma teoria predominante desde o final da década de 1960 de colisões violentas e uma teoria emergente mais recente, de acumulação suave. Uma agora caiu por terra, e a outra é a única que está de pé. Isso raramente acontece na ciência planetária," afirmou Alan Stern, da NASA.

Quais são os dados

Os novos dados vieram de um estudo detalhado de um objeto nos confins do Sistema Solar. Chamado Arrokoth, que está a mais de 6 bilhões de quilômetros do Sol, em uma região chamada Cinturão de Kuiper, sendo considerado um planetesimal, um bloco básico que, embora não tenha sido "usado", representa o que os cientistas acreditam ser um bloco fundamental de construção de um planeta.

Esse objeto, originalmente conhecido pelo seu nome de catálogo 2014 MU69, logo passou a se chamar Ultima Thule, mas foi rebatizado de Arrokoth há alguns meses. Ele ficou famoso há cerca de um ano, quando foi visitado pela sonda espacial New Horizons, a mesma que já havia visitado Plutão.

Os objetos do Cinturão de Kuiper permaneceram praticamente os mesmos desde a formação do Sistema Solar, há 6 bilhões de anos. Eles são, assim, como fósseis preservados desse passado distante.

Arrokoth reforça teoria alternativa sobre formação dos planetas
A teoria da aglomeração suave foi desenvolvida há 15 anos por Anders Johansen em uma simulação de computador.
[Imagem: Lund Observatory]

E foi esse fóssil planetário que deu aos astrônomos a primeira oportunidade de testar qual das duas teorias concorrentes sobre a formação planetária estava correta.

A análise não encontrou evidências de impactos violentos, como fraturas nem achatamentos, indicando que a matéria que formou Arrokoth entrou em contato suavemente.

"Isso é totalmente conclusivo," disse Stern. "O sobrevoo de Arrokoth nos permitiu verificar as duas teorias de uma vez."

Teoria da aglomeração suave

Apesar do entusiasmo do cientista, a observação de um único objeto pode não ser suficiente para derrubar ou comprovar uma teoria. A favor de seu argumento, por outro lado, está o fato de que a aglomeração suave agora possui um dado observacional, enquanto a teoria dos impactos continua só na teoria. Provavelmente o debate continuará até que novas observações possam melhorar o entendimento do processo.

A teoria da aglomeração suave foi desenvolvida há 15 anos pelo professor Anders Johansen, no Observatório Lund, na Suécia. A ideia surgiu a partir de simulações em computador.

Johansen disse que obter dados confirmando sua teoria "é um verdadeiro alívio". "Lembro-me de quando era estudante e estava muito nervoso com esses resultados, porque eram muito diferentes dos anteriores. Estava preocupado que houvesse uma falha no código da minha simulação ou que eu tivesse cometido um erro de cálculo," disse ele.

Bibliografia:

Artigo: The geology and geophysics of Kuiper Belt object (486958) Arrokoth
Autores: J. R. Spencer et al.
Revista: Science
Vol.: aay3999
DOI: 10.1126/science.aay3999






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