Redação do Site Inovação Tecnológica - 07/07/2026

Bateria alimentada por umidade
Ninguém gosta de ver baterias pegando fogo. Mas, e se o incêndio for intencional, programado para acontecer justamente para destruir algo valioso dos olhos indiscretos de invasores?
Na verdade, Rajaram Kaveti e colegas da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, começaram com uma ideia bem construtiva, a de criar uma bateria que possa ser ativada quando for necessária, coletar energia do ambiente e funcionar sem componentes perigosos.
Deu certo: O resultado é uma bateria flexível ativada pela umidade do ar ambiente, o que a torna muito útil para aplicações como a internet das coisas, dispositivos de vestir, robótica em miniatura e muitas outras.
A nova bateria ativada por umidade tem um ânodo de magnésio e um cátodo de prata/cloreto de prata, com uma membrana de celulose impregnada com sais de cloreto de lítio, que funciona como separador. Esse separador capta a umidade do ar ambiente, que dissolve os sais e cria o eletrólito, permitindo que a carga flua pela bateria e ela comece a funcionar.
"Nossa bateria elimina eletrólitos tóxicos e inflamáveis porque funciona essencialmente com água salgada," disse o professor Amay Bandodkar. "E como ela só se ativa quando exposta ao ar ambiente, ela permanece inativa enquanto estiver dentro da embalagem lacrada, o que lhe confere uma vida útil prolongada."
Para que a bateria possa ser usada em roupas e tecidos inteligentes, a equipe também aprimorou seu desempenho quando ela é esticada. Em vez dos interconectores serpentinos usados na maioria das baterias extensíveis, eles usaram uma estrutura inspirada no casco dos tatus, com escamas sobrepostas e densamente compactadas.

Bateria com botão de autodestruição
Mas faltava o "incêndio sob demanda", ou o poder de autodestruição da bateria, que os cientistas acreditam ser útil em sistemas de vigilância e espionagem.
Para isso, a mesma tecnologia de coleta de umidade foi usada para criar um "interruptor de segurança", composto por uma mistura seca de alumínio e pó de iodo armazenada em um compartimento isolado, dentro da carcaça da bateria, recoberto por uma membrana de celulose para coleta de umidade.
Quando a carcaça é pressionada - por exemplo, por alguém tentando remover ou desativar o dispositivo - a mistura de pó seco entra em contato direto com a água coletada, iniciando uma reação química violenta, que envolve o dispositivo em chamas e o destrói completamente. Instalado em um sensor de gás sem fio, o gatilho fez com que o dispositivo, incluindo os componentes eletrônicos integrados, estivesse totalmente destruído três minutos após a ativação.
Mas, no que interessa mesmo, o fornecimento de energia, a bateria flexível alimentou um oxímetro Bluetooth sem fio por 30 horas, mostrando que sua carga útil é comparável à das baterias convencionais.