Redação do Site Inovação Tecnológica - 26/06/2026

Computação quântica inspirada no cérebro
O nome soa bem: Computação hiperdimensional. O potencial também: Pesquisadores acreditam que esta nova arquitetura de computação baseada na neurociência pode ajudar a liberar todo o potencial da computação quântica.
Não por acaso, este novo paradigma computacional inspirado no cérebro humano está sendo lançado por pesquisadores da área de neurociências.
Fabio Cumbo e colegas da Clínica Cleveland, nos EUA, seguiram a ideia de que um conceito no cérebro não é armazenado em um único neurônio. Por exemplo, quando você pensa em um gato, não há um neurônio único no seu cérebro responsável exclusivamente por lhe fazer saber o que é um gato; essa informação está distribuída por milhares ou milhões de neurônios. Assim, mesmo que um neurônio falhe, você ainda se lembrará do que é um gato.
Essa ideia pode ser estendida à computação. Por exemplo, se os dados na memória de um computador forem distribuídos em vetores, o sistema pode produzir um cálculo preciso mesmo que haja um erro em um dos vetores. Para possibilitar isso, emerge o conceito de computação hiperdimensional (CHD), que deverá imitar o cérebro usando vetores longos, um tipo de estrutura de dados que pode conter milhares de dimensões.
Mas a ideia de Cumbo é mais ambiciosa: Ele não pretende usar componentes eletrônicos, mas sim componentes quânticos, lançando de vez o conceito de computação quântica hiperdimensional (CQHD).

Computação quântica hiperdimensional
Enquanto mapear vetores longos em um hardware eletrônico convencional é trivial, a aplicação do mesmo quadro conceitual ao hardware quântico enfrenta muitos desafios.
A proposta consiste em eliminar esses gargalos usando a propriedade da superposição quântica para codificar e processar esses espaços complexos de forma eficiente - a superposição permite que uma partícula exista em múltiplos estados simultaneamente, o que significa que cada célula de memória, ou cada qubit, pode guardar dados multidimensionais, e não apenas binários.
"A maioria dos softwares de computação quântica ainda é construída com base em ideias da computação clássica," explicou Cumbo. "Tive a ideia de explorar um tipo de computação que funcionasse naturalmente em um computador quântico, em vez de forçá-lo a se encaixar em uma estrutura clássica."
O pesquisador então realizou diversos estudos sobre a computação hiperdimensional clássica, o que permitiu que ele estabelecesse sua compatibilidade com os computadores quânticos. A seguir, ele testou a estrutura em um computador clássico, em um simulador quântico idealizado e em um computador quântico real, disponível via internet.
Os testes permitiram observar não apenas o desempenho da estrutura, mas também como ela se compara aos métodos computacionais atuais. Os resultados mostraram que a computação hiperdimensional quântica poderá apresentar um desempenho 500 vezes mais rápido do que os métodos já conhecidos e adotados nos computadores quânticos "normais".
"Este trabalho estabelece as bases para uma nova classe de algoritmos de computação quântica que podem aumentar a velocidade e a eficiência da pesquisa biomédica," disse o Dr. Cumbo. "Continuaremos a explorar as possibilidades da computação quântica hiperdimensional aplicando-a a modelos maiores e verificando se a velocidade e a precisão podem ser mantidas."