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Brasil tem potencial para adoção de barcos solares

Brasil tem potencial para adoção de barcos solares
Barco solar de competição desenvolvido pela Coppe/UFRJ. [Imagem: Coppe/UFRJ]

Barcos solares

O Brasil pode, em 10 anos, chegar ao patamar dos países líderes, como França e Suíça, no desenvolvimento e uso de embarcações com motores elétricos de propulsão, alimentados por baterias carregadas por painéis solares.

A estimativa é do professor do Walter Issamu Suemitsu, da Coppe/UFRJ.

Segundo o professor, as chamadas embarcações solares são uma alternativa para reduzir a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera e a poluição das águas. "Na Europa, por exemplo, tem países que proíbem barcos de propulsão a sistema de combustão porque, às vezes, tem vazamento de combustível e aí polui a água dos lagos e rios."

Mas a utilização dos barcos solares ainda apresenta restrições em termos de velocidade e autonomia "porque são barcos alimentados por baterias de painel solar e nem sempre tem sol o tempo todo. Por isso, ainda não estão populares no exterior," ponderou Walter.

Como o Brasil, ao contrário das nações europeias, é um país ensolarado, ele acredita que a possibilidade para adoção dessa tecnologia no setor naval é maior.

Desafio solar

A equipe do professor Walter trabalha no desenvolvimento de motores para barcos solares, visando sua maior confiabilidade. Outras equipes da Coppe estão trabalhando com conversores eletrônicos de controle para a parte elétrica. A Universidade Federal de Santa Catarina também possui uma área de pesquisa e desenvolvimento de barcos solares, incluindo a participação em competições internacionais.

Alguns dos protótipos da Coppe poderão ser vistos no período de 10 a 16 de setembro, quando a UFRJ vai realizar no município de Armação dos Búzios, Região dos Lagos, no Estado do Rio, o Desafio Solar Brasil. A competição vai mostrar o conceito do barco e sua capacidade, entre outros elementos.

Walter disse que os motores solares poderiam ser adotados no Brasil para o transporte de passageiros, inicialmente em embarcações pequenas e médias. As barcas que fazem a ligação entre o Rio de Janeiro e Niterói, por exemplo, poderiam ser uma opção viável. "Vai depender muito do desenvolvimento da tecnologia no futuro. Por enquanto, é melhor para embarcações pequenas e médias," opinou.

Outra questão é o custo: "O custo inicial pode ser mais caro, porque se trata de uma tecnologia em evolução, mas, dependendo do tempo de operação, pode ficar vantajoso," disse Walter, acrescentando que, com uma produção em escala industrial e um uso mais amplo, o custo desses motores poderá ser reduzido rapidamente, tal como ocorreu em relação aos painéis fotovoltaicos, cuja instalação já começa a ser vantajosa em áreas urbanas.





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