Redação do Site Inovação Tecnológica - 07/04/2026

Modulador de luz
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (Alemanha) e da Escola Politécnica Federal de Lausanne (Suíça) criaram um novo componente que permite a transmissão de dados por luz de forma muito rápida, econômica e confiável, graças a uma tecnologia de fabricação avançada.
Trata-se de um modulador de luz eletro-óptico, um dispositivo que converte sinais elétricos em pulsos de luz, que já são a base da internet de alta velocidade e ideais para aplicações com fluxos de dados massivos, como o treinamento de inteligência artificial.
A novidade é que o novo modulador é semelhante aos chips de computador, podendo ser fabricado usando os processos da microeletrônica já estabelecidos. Só que, em vez de silício, o modulador foi fabricado com tantalato de lítio, um material que guia a luz de modo muito eficiente.
O fato de poder ser fabricado em larga escala e a baixo custo em pastilhas semicondutoras padrão é importante porque as aplicações de IA e o crescente tráfego de dados estão levando as centrais de dados e as redes de fibra óptica ao limite de sua capacidade.
O protótipo atingiu taxas de dados superiores a 400 gigabits por segundo, o que corresponde à transmissão simultânea de cerca de 80.000 HDs ou de 8 filmes HD completos por segundo.

Cobre é melhor do que ouro
Curiosamente, a grande estrela desta inovação é o comum e tradicional cobre, o metal usado para fazer os fios que alimentam as lâmpadas da sua casa, mas também as finíssimas trilhas que transmitem eletricidade no interior dos chips.
Ao contrário do ouro, que vinha sendo usado até agora nos moduladores de luz e é muito mais caro, o cobre permitiu criar superfícies mais lisas, o que tornou o componente mais eficiente, já que há menor perda de energia.
Além disso, os eletrodos de cobre podem ser fabricados utilizando um processo já testado milhões de vezes na produção de chips eletrônicos. Ao contrário dos métodos anteriores, este resulta em uma superfície quase espelhada, que permite a fácil conexão dos microchips ópticos aos chips eletrônicos. Isso não só facilita a fabricação dos moduladores, como também permite uma melhor integração aos sistemas eletrônicos existentes.
"Estamos trabalhando no limite do que é tecnicamente possível hoje. Com eletrônica de controle mais potente, poderíamos até aumentar as taxas de dados," disse Alexander Kotz, membro da equipe. "Rápido, econômico, confiável e fabricável em escala industrial - essa combinação torna a tecnologia atraente, especialmente para data centers e clusters de IA que já sofrem com gargalos na troca de dados entre processadores."